Putin pede ao Governo medidas para reduzir impactos da crise do gás na Europa

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, indicou que o país não está interessado "num crescimento infinito dos preços dos combustíveis, incluindo o gás.

Dinheiro Vivo/Lusa
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin © Sergei GUNEYEV / SPUTNIK / AFP

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu esta quarta-feira ao Governo para preparar um conjunto de medidas destinadas a reduzir o impacto negativo do aumento dos preços do gás na Europa, que podem afetar a economia do país.

"É necessário não apenas analisar o que poderia suceder em breve, mas também apresentar um conjunto de medidas que garantam os interesses dos nossos produtores agropecuários e contenha o aumento dos preços dos alimentos", assinalou.

O líder do Kremlin indicou que a Rússia não está interessada "num crescimento infinito dos preços dos combustíveis, incluindo o gás", e que poderá afetar o consumo desta matéria-prima, que poderá registar-se com os preços atuais.

"Se existir uma redução do consumo (...) afetará também as nossas companhias produtoras, incluindo a Gazprom", afirmou.

Segundo referiu, as medidas que o Governo deverá propor destinam-se a nivelar "as consequências negativas que poderiam ocorrer nos mercados mundiais e repercutirem-se de alguma forma na economia da Rússia".

"Não se trata de aprovar medidas alarmistas, antes averiguadas, previamente preparadas, bem calculadas", prosseguiu.

O vice-primeiro-ministro russo, Alexandr Novak, observou por sua vez que a crise do gás na Europa já provocou o encerramento de diversas fábricas metalúrgicas e de produção de fertilizantes no continente europeu e sublinhou que esta situação poderá conduzir a um aumento dos preços dos produtos alimentares no país.

Novak referiu ainda que não perspetiva "um equilíbrio entre a oferta e a procura de gás na Europa a curto prazo", apesar de não ter descartado que a situação climática incida nesse processo.

Ao solicitar ao gabinete de ministros esta proposta anticrise, Putin observou que diversos países europeus aprovaram medidas de apoio à população que poderão implicar um desequilíbrio no consumo de gás e eletricidade no setor doméstico e na indústria.

Apesar de ter assinalado "ser correto apoiar a população", sustentou que estas medidas forçariam a uma redução do consumo de energia e que conduziriam a um aumento dos preços dos bens de consumo.

Putin indicou que esta forma de ajuda "superficial" e vinculada "à conjuntura política interna" ditada por processos eleitorais em alguns países europeus se irá refletir de alguma forma nos bolsos dos cidadãos europeus, após os preços terem começado "a aumentar em cadeia".

O chefe de Estado russo também constatou que "não estamos no vazio e o que sucede no mercado energético mundial repercute-se em nós de alguma forma".

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