Bruxelas defende criação de megafábricas europeias de semicondutores

A UE quer tornar a produção europeia de chips mais resiliente, mas também diversificar as cadeias de abastecimento para diminuir a dependência excessiva de um único país ou região.

O comissário europeu do Mercado Interno, Thierry Breton, disse esta quarta-feira que a União Europeia deve criar megafábricas que possam produzir em "grande escala" semicondutores "mais avançados".

"Temos que apoiar o desenvolvimento de fábricas europeias - megafábricas - com capacidade de produzir em grande escala os semicondutores mais avançados e eficientes energeticamente de dois nanómetros ou menos", disse Breton na sua conta no LinkedIn.

O comissário ficará encarregado de desenvolver a Lei Europeia de Chips que foi hoje anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, durante o seu discurso do Estado da União, onde fez o balanço deste ano e projetou as prioridades para 2022.

Este é um dos três parâmetros que Breton terá para cumprir o novo regulamento, ainda sem data marcada.

Além disso, e associada ao requisito anterior, terá de ser concebida uma estratégia para "levar" as ambições de investigação da Europa "ao nível seguinte" e para "preservar" ao mesmo tempo os interesses estratégicos da UE na produção de semicondutores ('chips').

A Lei Europeia de Chips deverá, por último, estabelecer uma meta para a cooperação internacional, porque "a intenção não é produzir tudo por nossa conta aqui na Europa", afirmou Breton.

Além "de tornar a nossa produção local mais resiliente, precisamos de desenhar uma estratégia para diversificar as nossas cadeias de abastecimento com o objetivo de diminuir a dependência excessiva de um único país ou região", acrescentou o comissário francês.

O objetivo da Comissão Europeia é aumentar a produção de semicondutores em até 20% até 2030.

"Apresentaremos uma nova Lei Europeia de Chips. Temos que vincular a nossa investigação, desenho e capacidade de testes em vanguarda mundial. Temos que coordenar os investimentos da UE e os nacionais em toda a cadeia de valor", afirmou hoje Von der Leyen.

Breton defendeu também a futura lei como uma forma de defender a "soberania tecnológica" da União Europeia.

"Os semicondutores estão no centro de fortes interesses geoestratégicos e no centro da corrida tecnológica global", apontou.

"As superpotências estão preocupadas em garantir o fornecimento dos 'chips' mais avançados, já que estão conscientes que isso condicionará a sua capacidade de atuar militar, económica e industrialmente", acrescentou.

Destacou ainda que os esforços que estão a ser feitos tanto pelos Estados Unidos como a China e Taiwan para aumentar a produção de semicondutores.

De acordo com um relatório deste ano da consultora BCG, a indústria tecnológica precisa de investir cerca de três biliões de dólares (2,4 biliões de euros) na cadeia de valor para responder ao aumento da procura mundial de semicondutores.

Os semicondutores, ou 'chips', como muitas vezes são designados, são componentes altamente especializados que fornecem a funcionalidade essencial para os dispositivos eletrónicos processarem, armazenarem e transmitir dados, sendo a sua cadeia de fornecimento a espinha dorsal da economia digital.

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