UE deve "avaliar correta e independentemente" relação com China, diz Xi a Merkel

O presidente chinês, Xi Jinping, disse quarta-feira à chanceler alemã Angela Merkel que os países europeus devem "avaliar correta e independente" as relações bilaterais, numa altura em que os Direitos Humanos na China se tornaram num ponto de contenda.

"As relações entre a China e a União Europeia estão perante uma nova fase de desenvolvimento, bem como vários desafios", exigindo da UE um "julgamento correto, de forma independente", disse Xi numa conversa telefónica com Merkel, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.

O contacto foi o primeiro do chefe de Estado chinês com um líder europeu, desde que, há duas semanas, a China respondeu com sanções a eurodeputados e instituições de investigação europeias depois de a UE ter sancionado dirigentes chineses na província de Xinjiang, devido a abusos contra a as etnias muçulmanas locais, sobretudo os uigure.

Os Estados Unidos, que têm vindo a procurar aproximar-se do bloco europeu nesta e noutras questões, acusam o regime chinês de cometer genocídio contra os uigure, o que a China nega e considera ser assunto interno.

Na conversa com Merkel, segundo a Xinhua, o presidente chinês disse que "é fundamental compreender a orientação geral do desenvolvimento das relações sino-europeias" e "de um ponto de vista estratégico (ambas as partes) respeitarem-se mutuamente e eliminar interferências".

Xi disse ainda esperar que a Europa "faça um esforço positivo em relação à China" e que o país asiático pretende "colocar em prática o multilateralismo" com a UE e cooperar com o bloco europeu em questões como as alterações climáticas.

Ativistas de direitos humanos estimam que mais de um milhão de uigures e outras minorias predominantemente muçulmanas estão ou foram mantidos em campos nesta região noroeste, onde a China também é acusada de esterilizar mulheres à força e impor trabalho forçado.

Depois de a UE aprovar sanções contra quatro dirigentes na região chinesa de Xinjiang por violações dos direitos dos uigures, a China respondeu com sanções contra 10 europeus, incluindo cinco membros do Parlamento Europeu.

Entre os sancionados pelas autoridades chinesas, que não poderão entrar no país asiático, estão os eurodeputados alemães Reinhard Bütikofer (presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com a China) e Michael Gahler, o francês Raphaël Glucksmann, o búlgaro Ilhan Kyuchuk e a eslovaca Miriam Lexmann, além de outros políticos, investigadores e quatro instituições.

O investigador alemão Adrian Zenz, cujos relatórios sobre o destino dos uigures na província de Xinjiang provocou fortes protestos de Pequim, também foi sancionado.

O Comité Político e de Segurança do Conselho da UE e a Subcomissão dos Direitos do Homem do Parlamento Europeu estão entre os quatro organismos visados pelas sanções chinesas.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, anunciou que "a China opõe-se e condena firmemente as sanções da UE", acusando ainda o bloco europeu de "espalhar mentiras" e "prejudicar gravemente" a sua soberania.

A nota refere ainda que "se a UE não corrigir o seu erro, haverá mais medidas".

As sanções europeias foram coordenadas com Estados Unidos, Canadá e Reino Unido

O incidente teve lugar numa altura em que aguarda ratificação no Parlamento Europeu o novo acordo comercial China-UE, cujas negociações foram concluídas em dezembro.

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