Wuhan tenta voltar, aos poucos, à vida no meio da incerteza. Veja o vídeo

Sinais da vida surreal após o bloqueio que terminou recentemente. Wuhan, na China, volta ao trabalho após levantar uma quarentena de 76 dias

Numa altura que novas infeções de covid-19 diminuíram na zona e à medida que a cidade recupera, o medo de portadores assintomáticos e casos reimportados do exterior impediu Wuhan de baixar completamente a guarda, daí que as imagens que chegam do ponto de partida do surto sejam algo surreais.

Os habitantes são solicitados a fazer o scan de códigos QR nos metros para registar a carruagem exata em que entram e as autoridades continuam monitorizar a temperatura das pessoas que entram e saem de espaços fechados, enquanto as barreiras de controlo de segurança permanecem em muitas ruas da cidade onde vivem 11 milhões de pessoas.

Wuhan tem motivos para ter medo: depois de emergir num mercado de animais no final do ano passado, o vírus SARS-CoV-2 (covid-19) espalhou-se como fogo pela cidade, infetando mais de 50.000 e matando mais de 3.800 pessoas, um número revisto na semana passada depois das autoridades admitiram erros na contagem de vítimas.

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A cidade industrial também enfrenta uma grande incerteza económica, com empresas que variam de pequenos comerciantes a bancas de mercados locais informaram à AFP que as perdas ocorridas durante o bloqueio tornaram os alugueres inacessíveis, enquanto as restrições contínuas ao movimento dentro da cidade estão a prejudicar as vendas ao ponto de haver restaurantes abertos, mas às moscas.

"Temos muito, muito poucos clientes", disse Han, 27 anos, proprietária de uma loja de bebidas no centro de Wuhan.

"Todas as pessoas estão preocupadas com pessoas infetadas assintomáticas", disse. "Os negócios simplesmente não são rentáveis como eram."

As autoridades estão a tentar aumentar o consumo da população, disponibilizando cerca de 71 milhões de dólares nos chamados "cupões de consumo", oferecendo descontos em supermercados, centros comerciais, restaurantes e bares por toda a cidade.

Mas muitos restaurantes não reabriram, e aqueles que operam apenas podem oferecer lugares ao ar livre ou comida para take away - tornando quase impossíveis as celebrações pós-bloqueio.

Para os moradores de Wuhan o sentimento é agridoce, entre o resguardo necessário e a necessidade de celebrar o fim do isolamento da cidade - que na verdade não é um fim completo.

"A minha vida não é boa", disse Li Xiongjie, um morador de 30 anos que comenta que a epidemia o deixou desempregado. "Apenas permanecer vivo é uma vitória, permanecer vivo é a coisa mais importante."

Veja no vídeo como estão a ser os primeiros dias da cidade chinesa que regressa à vida aos poucos.

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