Investidores apostam em pequenos apartamentos

Espaços que estavam no Alojamento Local acabaram por passar para o mercado de venda e muitos para o arrendamento

Conheceram vários inquilinos. Muitos passavam apenas uma ou duas noites. Mas a turbulência gerada pela pandemia, levou a uma reforma dos velhos hábitos. Uma rápida pesquisa por sites de imobiliárias permite perceber que, tanto em Lisboa como no Porto, há vários apartamentos de pequenas dimensões - com 35 e 40 metros quadrados - localizados no coração das cidades, à venda. Nos últimos anos, muitos desses imóveis terão estado no Alojamento Local (AL), mas o abanão que a pandemia gerou no turismo fez muitos proprietários mudarem de vida.

"Podemos afirmar que alguns dos imóveis destinados ao AL estão, de facto, a entrar no mercado de compra/venda e outros têm vindo a ser convertidos em arrendamento de longa ou média duração", sustenta Rui Torgal, CEO da ERA Portugal. Reconhece que é "uma tendência que se tem vindo a registar nos últimos meses por se tratar de uma solução encontrada pelos proprietários para manter uma fonte de rendimento" até porque "a conversão dos imóveis de AL para arrendamento de longa ou média duração é considerada uma alternativa mais estável para os proprietários".

A Remax também reconhece que há "recentemente um aumento da oferta deste tipo de imóveis no mercado de venda", sendo que, Diogo Severino, broker daRE/MAX Grupo Vantagem, acrescenta que, devido à pandemia "muitos investidores optaram por fazê-lo para reaver o seu investimento de forma mais rápida".

De acordo com dados do projeto Local Data da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), baseados no Registo Nacional de Alojamento Local (RNAL), houve 3762 novos registos no primeiro semestre deste ano em Portugal. Contudo, de janeiro a junho o número de cancelamentos de registo ascendeu 2425. A evolução não foi igual por todo o país. Se, por um lado, e de acordo com a ALEP, as duas grandes cidades perderam registos, algumas zonas de veraneio no interior terão tido mais, à boleia da nova tendência do turismo, quando muitos procuram locais mais isolados e com maior distanciamento. Os dados do Local Data mostram que, até 30 de junho, houve 179 novos registos em Lisboa e 244 cancelamentos. Quanto ao Porto, no primeiro semestre, houve 380 novos registos e 699 cancelamentos.

O líder da ERA aponta que estes imóveis de pequenas dimensões, e que muitos poderiam ter estado em AL, têm "sido muito procurados, tanto por investidores estrangeiros como nacionais, que vêm sobretudo à procura de uma boa oportunidade de negócio, ou seja, procuram investir na expectativa de, futuramente, rentabilizar o investimento realizado". Apesar da quebra do turismo, Rui Torgal conta que "muitos turistas continuam a procurar casas para arrendar em território nacional" e nota um "interesse por parte de clientes estrangeiros que estão em Portugal em trabalho, e optam pelo arrendamento enquanto permanecem no nosso país".

Diogo Severino assume que há investidores interessados nestes imóveis para depois rentabilizá-los, fazendo chegar ao arrendamento tradicional. Mas não só. "Há também compradores nas faixas etárias dos 25 aos 35 anos que no seu processo de independência saem de casa dos pais. Ou jovens famílias a prescindir de áreas mais generosas para conseguir comprar casa em Lisboa e não nos arredores", acrescenta.

Segunda metade do ano
A taxa de poupança das famílias portugueses continua em níveis elevados e muitos poderão considerar o imobiliário como um ativo onde apostar. A Remax acredita que esta segunda metade do ano vai ser melhor que os primeiros seis meses. "Em relação a perspetivas de vendas, acredito que vamos ter um cenário semelhante ao dos últimos anos, em que o segundo semestre tem uma expressão mais significativa que o primeiro nos negócios imobiliários. A tendência é realizar no segundo período do ano cerca de 60% do total das transações anuais. E o imobiliário, recorde-se, já deu provas suficientes da sua resiliência", diz Diogo Severino.

A ERA também antecipa um resto de ano positivo. Apesar de ainda estar a fechar os números do primeiro semestre, Rui Torgal admite que "Lisboa e Porto são os locais que registam um maior número de venda de imóveis", sendo que também tem assistido a "um aumento de vendas nas periferias das grandes cidades e no interior do país".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de