Imobiliário

Investimento em imobiliário atinge maior valor de sempre em 2015

Fotografia: Nuno Fox
Fotografia: Nuno Fox

Compra de edifícios atingiu os 1,9 mil milhões de euros em 2015, mas ainda é preciso juntar compra de prédios para reabilitar e a compra de Vilamoura.

O investimento em imobiliário, nomeadamente a compra de centros comerciais, lojas de rua, hotéis ou edifícios de escritórios ou de habitação atingiu os 1,9 mil milhões de euros em 2015, ou seja, o valor mais alto de sempre em Portugal, anunciou hoje a consultora Cushman & Wakefield.

“É o melhor ano de sempre. Muito melhor que 2007 [até agora o ano recorde com investimentos de 1,2 mil milhões de euros] e sem qualquer comparação com os anos anímicos de 2010 ou 2011”, disse o diretor-geral da Cushman em Portugal, Eric Van Leuven.

A este valor é, contudo, preciso juntar ainda as transações de compra de edifícios para reabilitar, o que também aconteceu muito no ano passado, nomeadamente na Avenida da Liberdade e na Baixa, mas para os quais a Cushman não tem ainda indicadores de mercado. E é ainda preciso juntar a compra do centro comercial Monumental ou os 200 milhões de euros pagos por Vilamoura pelos americanos Lone Star.

“Essas são operações de compra de dívida e isso não entra nas nossas análises. O que contabilizamos nos 1,9 mil milhões de euros é a compra de um activo para retorno e não a compra com risco ou para promoção como são esses dois casos”, disse a directora de research da Cushman, Marta Esteves Costa.

Quer isto dizer que o valor total de investimento estrangeiro aplicado em imobiliário em Portugal, em 2015, foi muito superior a este montante.

Maioria de estrangeiros

Tal como já se previa no final do segundo semestre deste ano, 90% do capital investido foi estrangeiro e apenas 10% foi português, “mas mesmo esse tem muito dinheiro estrangeiro por trás”, disse ainda Eric Van Leuven numa apresentação esta terça-feira de manhã.

Ainda assim, rejeita comentários de que os edifícios comecem a estar cada vez nas mãos de investidores internacionais e atenta que o que se passa agora em Portugal acontece há já muito tempo em todo o mundo.

“Por exemplo, o ano passado a sede da Scotland Yard, em Londres, foi vendida a um fundo do Abu Dhabi e ninguém estranhou”, acrescentou.

Rejeita também que os edifícios estejam a ser comprados com desconto. Na verdade, os preços em Portugal sempre foram muito mais baixos que noutras cidades europeias. “Em Barcelona há lojas de tua a serem vendidas por 70 mil euros o metro quadrado, enquanto que em Lisboa os prçeos prime estão nos 16 mil euros o metro quadrado”, referiu.

Aliás, segundo o diretor da área de investimento da consultora, Luís Rocha Antunes, é mais por isto que há tanto interesse em Portugal, mas principalmente porque agora as rendas – de escritórios e lojas, tanto na rua como nos centros comerciais – são mais altas e portanto o retorno para quem compra é maior. Além disso, há também a ter em conta o boom do turismo.

Americanos são os que mais compram

No universo de estrangeiros que escolheram Portugal para comprar ativos imobiliários, os americanos foram os vencedores: não só investiram mais como compraram os maiores portfolios de edifícios, que são, aliás o tipo de ativos que procuram cá.

Foi o caso da Blackstone, que comprou os centros comerciais Fórum Almada e o Fórum Montijo, naquela que terá sido a maior operação do ano em volume, disse Marta Esteves Costa, sem no entanto poder revelar o valor.

Os centros comerciais foram, aliás, os ativos mais comprados o ano passado por este tipo de investidores. Segundo a Cushman, 65% do investimento foi em retalho, ou seja, shoppings e lojas de rua, mas a maior parte foi mesmo nos centros comerciais. “Houve muitos a mudar de mãos o ano passado”, comentou Eric Van Leuven, referindo não só o Fórum Almada e o Fórum Montijo, mas também o Dolce Vita Tejo, o Dolce Vita Porto, Vila Real e Coimbra.

Depois, 20% dos 1,9 mil milhões foram para a compra de edifícios de escritórios e 8% para hotelaria.

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