Imobiliário

Investimento em imobiliário deverá bater máximo histórico em 2019

Foto: REUTERS/Pedro Nunes
Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Depois de já ter batido recordes no ano passado, o investimento em imobiliário comercial em Portugal deverá voltar a bater máximos em 2019.

As previsões são da consultora Cushman & Wakefield, que no seu barómetro de outono antecipa que o volume de investimento poderá ultrapassar a fasquia dos três mil milhões de euros.

Apesar de até agosto o valor transacionado ter baixado 14% em comparação com o mesmo período do ano passado, existem cerca de 40 negócios em “fase de negociação avançada”, lembra a consultora, cujo valor ronda os 1,5 mil milhões de euros.

“Caso estas operações se concretizem em 2019, Portugal atingirá um novo máximo histórico no volume de investimento imobiliário comercial”, lê-se na análise.

Entre os negócios já concretizados desde o início do ano destaca-se o investimento em escritórios e retalho, que juntos representam quase 70% dos 1,6 mil milhões investidos.

O setor hoteleiro, no entanto, acabou por brilhar mais, tendo captado 27% do investimento, num total de 418 milhões de euros. A venda do portfólio Tivoli pela Minor à Invesco foi o maior negócio do ano até agora, com 313 milhões de euros.

Desde o arranque de 2019 abriram em Portugal 40 unidades hoteleiras com três mil quartos. Até 2021 deverão surgir mais 15 mil quartos no mercado, sobretudo nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto.

Está também a crescer o investimento em “segmentos menos convencionais”. É disso exemplo a aposta do grupo Xior em residências de estudantes em Lisboa e no Porto, tendo investido 28 milhões de euros.

O investimento estrangeiro continua a ser maioritário no setor, abarcando 89% do total. Deste montante, 43% é de origem alemã.

O diretor-geral da Cushman em Portugal, Eric van Leuven, ressalva que apesar dos sinais de desaceleração da economia a nível internacional, e que podem ter impacto na procura externa, “o mercado imobiliário tem vindo a evoluir muito positivamente”, prevendo-se que “os elevados volumes de liquidez que de forma crescente se alocam ao setor imobiliário deverão manter-se no médio prazo”.

No segmento de retalho contabilizou-se a abertura de 200 novas lojas de comércio de rua em Lisboa, com destaque para as Avenidas Novas, e de 55 no Porto, com a rua de Santa Catarina em foco. A restauração foi o setor mais dinâmico.

Em sentido contrário, revelando sinais de desaceleração, está o segmento residencial, com o aumento dos preços em Lisboa no segundo trimestre a atingir os 12% nos apartamentos novos, uma diferença significativa face à subia da de 21% registada no mesmo período de 2018. No Porto o aumento é maior, superando os 30%.

Para o que resta de 2019 o responsável máximo da Cushman antecipa “perspetivas de evolução muito positivas”. Para 2020 os analistas da consultora estão “otimistas, ainda que atentos a uma muito provável desaceleração da economia, tendo em conta a quebra nas exportações e de alguma correção no crescimento da procura interna”.

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