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Isabel Furtado e Cristina Fonseca distinguidas com o Prémio Dona Antónia

Quadro Dona Antónia Adelaide Ferreira. DR
Quadro Dona Antónia Adelaide Ferreira. DR

Galardão distingue mulheres que, como a 'Ferreirinha', se tenham distinguido pelas suas características humanas e capacidade empreendedora

Isabel Furtado, presidente da Cotec e CEO da TMG Automotive, e Cristina Fonseca, empreendedora tecnológica e cofundadora da Talkdesk, são as premiadas da 31ª edição do Prémio Dona Antónia, que esta quinta-feira, dia 4 de julho, foi entregue na Espaço Casa Ferreirinha, em Vila Nova de Gaia. O galardão, instituído pela Sogrape e pelos descendentes da ‘Ferreirinha’, como era carinhosamente apelidada pelos durienses, distingue, todos os anos, duas figuras femininas que, pela suas “características humanas e capacidades de empreendedorismo”, tenham replicado o exemplo de Dona Antónia, contribuindo, nomeadamente, para o desenvolvimento económico, social e cultural de Portugal.

Isabel Furtado, distinguida com o prémio Consagração de Carreira, evocou o exemplo da ‘Ferreirinha’, mulher de “caráter e fibra excecional, única no seu tempo” e o seu papel no desenvolvimento social e económico do Douro e no avanço da vitivinicultura duriense. “Mesmo hoje, numa era digital e de globalização, D. Antónia continua a ser um exemplo de perseverança, coragem e empreendedorismo, levando em paralelo as causas sociais que lhe foram tão gratas como o desenvolvimento nos sistemas de saúde, creches e escolas. E, por tudo isto, deixou memória e continua a ser um exemplo e referência para todas nós mulheres”, frisou.

Assumindo a sua “enorme gratidão e profunda honra” em fazer parte de uma lista de “notáveis mulheres” distinguidas com o prémio, entre as quais estão nomes como Maria Barroso, Teodora Cardoso, Leonor Beleza, Maria da Purificação Tavares, Ana Pinho ou Isabel Mota, entre muitas outras, a CEO da TMG Automotive e simultaneamente presidente da Associação Empresarial para a Inovação, destacou o dinamismo, a inovação, a habilidade negocial, a preocupação social e o cariz empreendedor de Dona Antónia Adelaide Ferreira, mas, sobretudo, o seu papel na “génese da responsabilidade social” de que tanto se fala atualmente e o seu “espírito de missão social”.

Dois séculos passados, há um “rasto sem fim” de “factos incontornáveis” que demonstram, sublinha, o “papel inquestionável” da mulher na construção de uma “sociedade melhor, uma sociedade moderna, mais justa e digna para todos”. Mas, garante, há muito mais, ainda, a fazer. “Nos tempos modernos e conturbados (política e socialmente) que atravessamos, é nossa obrigação, enquanto mulheres e, sobretudo, enquanto agentes da mudança, contribuir para um mundo mais equilibrado, mais ético e mais transparente”, diz, sem esquecer a necessidade de uma crescente “consciência social e ambiental” fundamentais para assegurar um futuro sustentável. “É este o nosso desafio e deverá ser o nosso legado”, defende Isabel Furtado.

A empresária agradeceu à família, a sua “âncora, o seu equilíbrio e o seu ponto de referência”, com a qual partilhou o reconhecimento. Visivelmente emocionada, não esqueceu uma referência a Paulo Nunes de Almeida, o presidente da Associação Empresarial de Portugal, amigo de infância e com o qual, disse, teve o “privilégio de trabalhar”.

Já Cristina Fonseca, que recebeu o prémio Revelação, considera que a vida e obra de Dona Antónia são “uma referência” para “qualquer mente empreendedora” e assume que o galardão é motivo de “grande orgulho”, mas, também, uma “responsabilidade acrescida”. Para a jovem empreendedora, o acesso ao conhecimento é uma “poderosa ferramenta de mudança”, que a sua geração tem sabido aproveitar. “Estamos investidos em renovar a indústria, modernizar a agricultura e introduzir transformação digital para o benefício de todos. E nada disto seria possível sem acesso ao conhecimento”, defende.

E tal como Dona Antónia tinha um sentido de missão “forte” e trabalhou para criar impacto na sua comunidade local, também Cristina Fonseca escolheu dedicar-se a criar impacto em Portugal “ao invés de o fazer lá fora”. E embora admita que o seu conhecimento seria, talvez, até “melhor compreendido” lá fora, onde as bases para trabalhar “estão já garantidas”, a jovem empreendedora garante acreditar, e “aprofundar essa convicção” a cada dia que passa, que deve medir o seu trabalho “pelo impacto que estou a criar no meu país”.

Numa época em que tanto se fala de diversidade de género, Cristina Fonseca defende que um dos eixos dessa diversidade é, precisamente, “a capacidade que as mulheres têm de reforçar a dimensão humana em ambiente empresarial”, porque, tal como é visível na obra de Dona Antónia, “o papel da mulher só é completo se houver um forte sentido de missão”.

E se é verdade que vivemos tempos repletos de desafios “difíceis e estruturais”, dos quais destaca o consumismo desmedido, a sustentabilidade do planeta e as desigualdades sociais, Cristina Fonseca acredita que “só alavancando a criatividade que a diversidade oferece” será possível encontrar as soluções necessárias. Mas a jovem empreendedora deixa uma palavra de esperança e otimismo: “As mulheres têm um papel fundamental a resolver problemas, estão cada vez mais ativas a transformar o mundo num local melhor e a elevar o nosso país e cada uma das comunidades em que se inserem, através da edução, do trabalho árduo e do sentido de missão”.

Artur Santos Silva, presidente do júri, lembrou o percurso de Cristina Fonseca e a criação da Talkdesk, empresa que hoje conta com 400 colaboradores – tem sede em São Francisco e escritórios no Porto, Coimbra, Lisboa e Madrid, mas vai, em breve, abrir uma base em Londres que irá empregar 40 pessoas -, número que deverá duplicar até 2020, e que tem já um valor atribuído de mais de 1,2 mil milhões de dólares. Em 2016, deixou as funções executivas na empresa e criou a Indico, um fundo de ‘venture capital’ de 50 milhões, mobilizando recursos financeiros de investidores institucionais e privados de oito países diferentes.

Também desde esse ano é uma das pessoas com menos de 30 anos que contribui para a fixação da agenda do Fórum Económico Mundial de Davos. “Muito temos a esperar de quem tanto demonstrou em caráter, coragem, força de vontade, visão e sentido de missão”, frisou.

Quanto a Isabel Furtado, Santos Silva destacou o seu papel na transformação da Têxtil Manuel Gonçalves (TMG) numa das principais firmas europeias de têxteis técnicos para a indústria automóvel. Apontou a sua “grande capacidade de liderança”, garantindo que “sabe como poucos como motivar e mobilizar uma equipa”, mas, também, as suas “excecionais qualidades de comunicação” e o seu sucesso na captação de talentos. “É incansável na procura de processos inovadores, sempre desafiou os nossos melhores centros tecnológicos a gerar o conhecimento de que necessita e onde a Universidade do Minho tem um lugar especial”, diz o presidente do júri, rematando: “Demonstrou como uma indústria tradicional se pode reconverter com o maior sucesso”.

 

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