Indústria Têxtil Vestuário

Isabel Furtado: “Indústria 4.0 não é uma opção, é a única alternativa”

Isabel Furtado é presidente da Cotec Portugal e CEO da TMG Automotive
Isabel Furtado é presidente da Cotec Portugal e CEO da TMG Automotive

A presidente da Cotec foi uma das oradoras da iTechStyle Summit, para debater o futuro da indústria têxtil e do vestuário

Isabel Furtado, presidente da Cotec e CEO da TMG Automotive, foi uma das oradoras da iTechStyle Summit, tendo a seu cargo falar da Indústria 4.0 e da transformação digital das empresas. Um caminho que, garante, não tem retorno se queremos ser competitivos num mundo globalizado. Até porque, reconhece, partimos um pouco atrasados, mas “cada degrau que subimos em direção à Indústria 4.0 coloca-nos em melhor posição face aos nossos concorrentes europeus”.

Temos uma indústria constituída essencialmente por PME. Elas estão capacitadas para fazer esse caminho para a indústria 4.0?
Penso que não há aqui grande diferença entre as grandes e as pequenas e médias empresas. Há estádios diferentes de desenvolvimento, mas isso não significa que sejam as PME que estão mais atrasadas. Não estão. E a COTEC tem vindo a fazer um trabalho com as PME no sentido de as motivar, instruir e até de as apoiar no desenvolvimento da Indústria 4.0 dentro de portas.

Estamos a falar de investimentos muito avultados…
Falemos antes do retorno do investimento. Não interessa muito quanto é que custa, interessa mais como é que se vai pagar e no tempo em que se vai pagar. E se pensarmos que a automação vai realmente fazer que máquinas substituam algum trabalho manual repetitivo, pode ser que o investimento tenha um retorno mais rápido.

E o efeito no emprego?
A automação não vai tirar emprego, vai gerar emprego diferente. Vai pôr fim às funções repetitivas, quase desumanas. Nós não podemos ter uma pessoa oito horas a fazer a mesma coisa, não é correto. Se esse trabalho pode ser feito por uma máquina, deixemos que as pessoas façam um trabalho mais nobre. Porque é disso que estamos a falar, de dar valor às pessoas, retirando-as das tarefas repetitivas, que não acrescentam valor e que até nos retiram alguma competitividade e produtividade. Além de que vamos precisar sempre de pessoas para desenhar e programar as máquinas e os robôs. A Indústria 4.0 não é uma ameaça, é uma grande oportunidade.

Que oportunidades vai haver?
Imensas. Possivelmente no curto prazo até poderemos perder alguns empregos, mas com a transformação digital a economia vai crescer, o que significa que há mais empresas e mais oportunidades de emprego. As estimativas apontam para que, em Portugal, a produtividade aumente 1,5 vezes se investirmos em sistemas da Indústria 4.0. E o têxtil foi pioneiro na primeira revolução industrial, com certeza que queremos ser também pioneiros nesta quarta. Estamos habituados a desafios e à inovação.

Na sua intervenção referiu-se às necessidades de formação, não só dos trabalhadores mas também dos quadros dirigentes e dos próprios empresários. Eles estão conscientes disso?
Gostaria de pensar que sim. Mas penso que têm de se consciencializar mais. Tudo numa empresa depende sempre da gestão de topo e se a gestão de topo estiver motivada, motiva a sua empresa. Se não estiver ou até se desconhecer – e muitas vezes o problema até está no desconhecimento -, então poderemos ter um caminho mais lento. Mas a indústria 4.0 não é uma opção neste momento. Ela está aí e é a única alternativa que temos. A smart factory é o futuro e embora possa soar a ficção, a verdade é que, há dez anos, falar em carros autónomos também era. I.P.

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