Coronavírus

ISEG. Recessão em Portugal pode chegar a 8% este ano

coronavirus turismo turistas
Turistas em Lisboa. Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens

Já é possível antever uma crise grave no setor dos serviços (turismo é citado). No entanto, a construção parece estar a resistir, diz o estudo.

A economia portuguesa vai registar uma recessão muito pronunciada este ano, que pode ir uma contração de 4% a 8% do produto interno bruto, indica o ISEG na nova síntese de conjuntura de março de 2020.

Segundo o estudo, tendo em conta “o condicionamento da atividade económica, na expectativa de que a fase mais restritiva não exceda os dois meses e de um posterior retomar gradual da atividade económica, o ISEG assume como valores indicativos para o crescimento do PIB em 2020 o intervalo -4% a -8%”.

O ISEG refere que ainda há pouca informação quantitativa relativa à atividade em março (este estudo foi elaborado com informação disponível até 3 de abril), o primeiro mês de embate da crise relativa à pandemia do coronavírus, mas já é possível antever uma crise grave no setor dos serviços (o turismo é um dos casos citados). No entanto, a construção parece estar a resistir, diz o estudo.

“Em geral, os indicadores de confiança relativos a março não refletem inteiramente o impacto da pandemia em curso sobre a atividade económica devido à rapidez com que a situação evoluiu. Mas indicam que, na fase inicial da recessão em curso, o setor dos Serviços é o mais atingido e o setor da Construção o mais resistente.

“Os indicadores parciais disponíveis sugerem que nos dois primeiros meses a economia não terá crescido menos do que no trimestre anterior”, no entanto com o encerramento ou forte limitação da atividade económica e da mobilidade dos cidadãos decretados pelas autoridades, é de esperar uma forte queda da conjuntura em março, pelo que “o 1º trimestre deverá ter registado uma variação homóloga em torno de zero”, refere o ISEG.

Dois cenários

“Este intervalo assume, implicitamente, duas evoluções diferenciadas para a crise e emergência sanitária e económica em que vivemos”. O primeiro cenário, menos grave, é o de “uma evolução menos penalizadora para a atividade económica em que as maiores restrições durarão cerca de dois meses com gradual relaxamento das restrições e regresso ao funcionamento das atividades encerradas nos meses posteriores”, argumenta o ISEG.

Num cenário pior, o ISEG assume “uma evolução mais duradoura da fase mais restritiva, ou uma abertura mais lenta das atividades económicas agora encerradas”.

“Obviamente, a duração da fase mais restritiva necessária à contenção e controlo da epidemia será fator determinante da maior ou menor profundidade da crise económica no corrente ano. Para já, em termos de evolução trimestral, o trimestre em que se espera maior contração do produto é o 2º trimestre, após o que se projeta uma progressiva recuperação do produto, trimestre a trimestre, mas não se consideram muito prováveis crescimentos homólogos positivos até ao final do ano.”

Os economistas do ISEG alertam ainda para o risco de a retoma poder falhar porque os outros países, os parceiros económicos de Portugal, os miores clientes da economia, podem ter dificuldades a emergir, o que será um bloqueio à retoma das exportações portuguesas, do turismo, etc.

“A saída mais ou menos rápida da presente emergência também irá depender da forma como os outros países da UE e nossos principais parceiros económicos o fizerem, quer pela interdependência das cadeias produtivas quer pela dependência de muita da nossa atividade da procura externa, e inclusive da procura externa presencial (turismo)”, refere o estudo.

“Finalmente, os desenvolvimentos nos mercados financeiros e a política europeia e da área do euro de apoio ao financiamento dos défices voltará a ter um papel determinante e poderá condicionar mais ou menos fortemente o ritmo da retoma.”

O ISEG não é a primeira instituição a antever uma recessão pesada em Portugal.

Há uma semana e meia, o Banco de Portugal disse que a economia portuguesa pode mergulhar, este ano, na pior recessão anual alguma vez registada (5,7%), tornando-se assim a primeira instituição oficial a fazer projeções económicas já incorporando a dimensão de crise do coronavírus. No cenário menos mau, a economia cai 3,7%, prevê o BdP.

Há duas semanas, o centro de estudos e previsões (NECEP) da Universidade Católica Portuguesa avançou que no melhor dos cenários, a economia portuguesa deve sofrer uma queda substancial de 4% este ano, num cenário central a recessão pode chegar a 10% e no pior quadro possível, em que a epidemia se prolonga, Portugal pode sofrer um colapso histórico na ordem dos 20% este ano (uma depressão económica cavada).

(atualizado 14h55)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
António Costa e Silva, responsável pelo plano para a economia nacional nos próximos dez anos.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)

Plano de Costa Silva. As bases estão lá, falta garantir boa execução

Filipe Santos, dean da Católica Lisbon Business and Economics ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Filipe Santos: Risco de austeridade? “Depende de como evoluir a economia”

Filipe Santos, dean da Católica Lisbon Business and Economics ( Pedro Rocha / Global Imagens )Filipe Santos
( Pedro Rocha / Global Imagens )

Filipe Santos: Há um conjunto de empreendedores que vai continuar

ISEG. Recessão em Portugal pode chegar a 8% este ano