Indústria 4.0

ISQ quer criar balcão único para a digitalização

Pedro Matias, presidente do ISQ. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens
Pedro Matias, presidente do ISQ. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

Objetivo é replicar a ideia do processo de criação Empresa na Hora ao sistema de transformação digital das pequenas e médias empresas

O ISQ está apostado em criar um balcão único para a digitalização, anunciou o presidente de empresa na apresentação do projeto PME Digital que pretende, precisamente, ajudar as pequenas e médias empresas neste percurso a caminho da Indústria 4.0. “Assim como se criou o serviço Empresa na Hora, acreditamos que é possível haver um Balcão Único Digital, que pode ter instalações físicas ou ser meramente virtual, onde as empresas encontrem, de forma muito rápida, todas as ferramentas necessárias para a transformação digital”, diz Pedro Matias.

Na prática, o objetivo é, num mesmo espaço, oferecer a capacidade de fazer o diagnóstico da situação da empresa e identificar as medidas, metodologias e processos que deverá aplicar e pô-las em marcha. O balcão único não faz parte do PME Digital, mas constitui um output final do projeto, e que “poderá ter um efeito demonstrador, a nível europeu e até do mundo, como uma ferramenta altamente inovadora para as empresas a fazerem, de forma mais rápida e eficaz, o seu processo de transformação digital”, frisa Pedro Matias.

No imediato, está no terreno a primeira fase do PME Digital, que pretende fazer o diagnóstico da situação atual nas fileiras automóvel, dos materiais e matérias-primas e do comércio (classificados como sectores nucleares para a estratégia de inovação e especialização inteligente das regiões Norte, Centro e Alentejo), de modo a perceber “qual a situação de partida no âmbito da maturidade das empresas para a transformação digital”, explicou Sílvia Vara, responsável da unidade de Investigação e Desenvolvimento do ISQ, na apresentação do projeto.

Identificadas estão já as principais barreiras, que vão desde a cultura das empresas e da sua liderança, com uma “experiência limitada no que diz respeito aos benefícios da transformação digital”, à falta de trabalhadores com competência técnica, nos seus quadros para procederem à dita revolução. “O investimento é, obviamente, uma barreira”, reconhece Sílvia Vara, que aponta, ainda, a assimetria informativa, já que, nem todas têm acesso, da mesma forma, à informação sobre o tema.

A responsável da divisão de I&D do ISQ sublinha, no entanto, que o que está em causa não é fazer sites ou estar nas redes sociais. “A transformação digital é uma jornada de mudança estrutural, estratégica e planeada, na qual a tecnologia assume um papel muito importante mas não é um objetivo em si, mas um meio para o crescimento”, frisa.

Feito o diagnóstico, a segunda fase passa pela identificação de boas práticas e de soluções para acelerar a transição digital. Haverá, ainda, um concurso para a escolha de oito PME para serem alvo de intervenção, e será criada uma plataforma ‘Hub acelerador digital’ que pretende ser um ecossistema que facilite a interação entre as PME, as entidades detentoras do conhecimento científico e as entidades fornecedoras de soluções, entre outros atores. O PME Digital tem uma duração prevista de dois anos, sendo que a última fase prevê a realização de workshops pelo país de sensibilização para o tema e para o uso da plataforma ‘Hub acelerador digital’.

Citando o provérbio africano que diz “se queres ir depressa vai sozinho, mas se queres ir longe vai acompanhado”, Pedro Matias lembrou que a transformação digital é um processo “de tal forma profundo, estratégico e abrangente”, que “precisamos de ir longe e, por isso, devemos ir acompanhados”, justificando, assim, a ligação do ISQ neste projeto a parceiros como as entidades gestores dos clusters, o Mobinov, o CentroHabitat e o Portugal Mineral Resources, mas, também, o TICE.pt bem como várias associações empresariais do Norte, Centro e Alentejo. “Conseguimos, assim, construir uma solução mais forte e prestar um melhor serviço à economia nacional e às PME”, frisou.

No encerramento da sessão, a secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, lembrou que as tecnologias “não são só um veículo para o ganho de competitividade das empresas, são alavancas para o crescimento das economias modernas”. Sobre a Iniciativa Indústria 4.0, lançada pelo Governo em janeiro de 2017, um programa a quatro anos e com seis eixos de atuação distintos, desde a capacitação ao financiamento, Ana Lehmann adiantou que “80% das medidas estão já executadas ou em execução”. Ou seja, 51 das 64 medidas totais previstas. “Mas há muito ainda a fazer”, garante, sublinhando que “o grande desafio, no segundo ano do programa, é a difusão” do tema e das iniciativas junto das PME. Mas não só. O objetivo do Governo, diz, é reforçar os ‘hubs de inovação digital’ em Portugal, os chamados one stop shops, ou seja, espaços agregadores e que podem difundir um conjunto de tecnologias e de conhecimento sobre determinadas áreas. Existem dois e o target é que, até ao final do ano, estejam 10 em funcionamento.

O projeto PME Digital, apresentado em Vila do Conde, terá, agora, sessões descentralizadas de divulgação pelo país. Será a 19 de setembro no Norte, a 20 no centro e a 26 de setembro no Alentejo.

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