Coronavírus

Itália entra em recessão este ano, diz FMI

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

A organização reviu em baixa quase todos os indicadores dado o impacto da covid-19. E ainda pode ser pior. Depende da extensão e duração da crise

O Fundo Monetário Internacional cortou em quase um ponto percentual as previsões de crescimento de Itália para este ano, de 0,5% para -0,6%, ou seja, recessão. As projeções foram divulgadas esta sexta-feira, dia 20 de março, ao abrigo do Artigo IV.

“Devido aos recentes desenvolvimentos relacionados com o coronavírus, o crescimento será menor, mesmo que a extensão da quebra seja altamente incerta”, começam por assinalar os técnicos do FMI, concluindo que “a disseminação da covid-19 representa um grande desafio económico.”

A previsão do crescimento foi revista em baixa “dado o aumento do número de estados de quarentena e da propagação na Europa”, explica o FMI.

O crescimento de médio prazo é de cerca de 0,7%, mas também este valor está sujeito a incertezas com base na duração e extensão da crise “. As previsões do Fundo Monetário apontam para um crescimento de 0,8% em 2021 e 2022.

Défice sobe e dívida pública também
As novas projeções do FMI apontam para uma degradação das contas públicas, agravando o défice que já estava previsto em um ponto percentual, de -1,6% do PIB para -2,6%. Mas o Fundo avisa que se o impacto do vírus for prolongado e o crescimento for significativamente menor, o défice poderá ser maior.

Mas também a dívida pública – a terceira mais elevada do mundo – vai regressar a valores próximos de 140% do produto interno bruto (passando de 134,8% do PIB em 2019 para 137% do PIB em 2020).

O Conselho Executivo da instituição sediada em Washington apoia as medidas tomadas pelo Governo italiano, lembrando que essas iniciativas têm um impacto orçamental previsto de 6,3 mil milhões de euros em 2020.

Apontando já para o futuro, o FMI sugere que depois da crise será “necessário implementar um pacote abrangente de medidas para aumentar o crescimento potencial e aumentar a resiliência”, incluindo as já famosas “reformas estruturais para aumentar a produtividade e o investimento, uma consolidação orçamental de médio prazo credível para colocar a dívida pública numa trajetória descendente e medidas para apoiar a saúde do setor financeiro”.

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