Zona Euro

Itália garante controlo do défice e pede flexibilidade a Bruxelas

Governo de Conte pede regime de exceção devido às despesas relacionadas com o desastre da ponte de Morandi, em Génova e os efeitos do mau tempo.

O ministro da Economia italiano Giovanni Tria comunicou por carta a Bruxelas que o Orçamento do Estado não vai ser alterado e pede à Comissão Europeia mais “flexibilidade”.

O executivo italiano pede a Bruxelas uma nova postura que tenha em conta as despesas relacionadas com o desastre da ponte de Morandi, em Génova e os efeitos do mau tempo que se fez sentir nas últimas semanas na península.

O governo de Roma pede, por isso, “flexibilidade devido aos acontecimentos excecionais” e que obrigaram o Estado a intervir financeiramente.

A carta do ministro da Economia Giovanni Tria foi dirigida ao vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis e ao comissário de Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

Na mensagem o ministro comunica que a posição do governo italiano em relação ao orçamento “mantém-se válida”.

O mesmo documento refere, no entanto, o compromisso de Roma sobre a manutenção das contas e das finanças públicas indicando que o défice de 2,4% do PIB é considerado “insuperável” e mantido sob controlo constante.

Roma encara com o “prioritário e urgente” uma dívida maior para a implementação de um orçamento que permita “relançar as perspetivas de crescimento e solucionar a diferença atual do nível do PIB em relação aos valores registados antes do início da crise económica”, defende Tria.

Por outro lado, o ministro expressa a intenção do governo em reduzir a divida e evitar o “risco de eventuais crises macroeconómicas” através da privatização de património do Estado até 1% do PIB, em 2019.

O ministro da Economia acredita que este programa de vendas pode baixar a divida de 131,2% até 126% em 20121 assegurando que “será submetida a um controlo constante”.

O governo italiano já tinha anunciado na noite de quarta-feira que não vai alterar o Orçamento do Estado para 2019 apesar de garantir à Comissão Europeia não ultrapassar o deficit de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Não há novidades legislativas, mas existe o compromisso sobre a contenção do deficit nos 2,4%”, disse o vice-presidente do governo e ministro do Desenvolvimento, Luigi di Maio, à saída de uma reunião do Conselho de Ministros.

O governo do Movimento 5 Estrelas (M5S) e da Liga (extrema-direita) reafirmou posições antes da meia noite, o fim do prazo concedido por Bruxelas para a apresentação de um novo documento sobre o orçamento.

A Comissão Europeia rejeitou a primeira proposta de Orçamento do Estado apresentado pelo executivo de Roma.

O documento do Orçamento incluiu um quadro macroeconómico em que o Governo estima um aumento do défice até aos 2,4% em 2019, 2,1% em 2020 e de 1,8% em 2021 para financiar as “políticas de crescimento”, tratando-se de uma estratégia que Bruxelas não aceita.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Trabalhos de descarga de contentores no Porto de Sines, 12 de fevereiro de 2020. TIAGO CANHOTO/LUSA

Exportações com quebra de 17% na primeira metade do ano

Isabel Camarinha, líder da CGTP, fala aos jornalistas após audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, 30 de julho de 2020. (MIGUEL A. LOPES/LUSA)

CGTP. Governo nega complemento a quem esteve em lay-off sem justificação

spacex-lanca-com-sucesso-e-pela-primeira-vez-a-nave-crew-dragon-para-a-nasa

SpaceX lança 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

Itália garante controlo do défice e pede flexibilidade a Bruxelas