Já somos sete mil milhões: O que vai acontecer ao preço dos alimentos

Danica Camacho, habitante 7 mil milhões
Danica Camacho, habitante 7 mil milhões

É uma menina. Chama-se Danica May Camacho e nasceu na capital das Filipinas, Manila, e foi escolhida pelas Nações Unidas para marcar simbolicamente o habitante 7 mil milhões do planeta Terra.

Nos últimos 50 anos, a população mundial tem crescido rapidamente, e nos últimos 13 anos foram acrescentados mais de mil milhões de seres humanos à Terra. Com o aumento da procura de mais mercadorias (comodidades) nos mercados, como arroz, cevada, milho, trigo, seria de esperar que os preços dos alimentos tivessem aumentado, mas isto não se tem verificado, de acordo com o Financial Times.

A década de 90 do século passado foi paradigmática, tendo sido marcada por um período de comodidades a baixo preço à medida que a população global registava o maior aumento nos tempos recentes – com o aumento de mil milhões de pessoas em apenas 11 anos e passando dos 4 mil milhões para os 5 mil milhões em 1998.

A fraca ligação entre o rápido crescimento da população e o baixo preço das comodidades nos anos 80 e 90 foi a razão pela qual Julian Simon, um economista conservador, venceu uma aposta no valor de mil dólares contra um ecologista de nome Ehrlich, sobre o impacto da população sobre o valor das mercadorias.

A aposta foi feita nos anos 80, quando os fizeram uma aposta sobre o preço real de cinco metais sobre um período de dez anos – crómio, cobre, níquel, latão e tungesténio. Em 1990, Ehrlich escreveu um cheque a Julian Simon de 567.07 dólares, representando a queda no valor dos metais ao longo da década, as comodidades não aumentaram de preço, mas pelo contrário, o seu valor caiu, concluindo os apostadores que uma maior procura não significa necessariamente um aumento dos preços.

Para os Cornucópios (os crentes na capacidade da ciência em desenvolver-se o mais rapidamente para alimentar o mundo) a aposta levou à seguinte conclusão: os Maltúsios – que estabeleciam o rápido crescimento da população com os preços elevados da mercadoria com escassos recursos naturais – estavam errados.

A última década provou que o debate está longe de estar resolvido. O preço das mercadorias reagem a várias factores, com a população a ser apenas um deles.

A década de 1980 e de 1990 viu outras forças a entrar em jogo: os efeitos recessivos dos preços elevados do petróleo, a reacção em cadeia do crescimento da oferta aos elevados preços anteriores e ao impacto da mudança tecnológica, com a agricultura a ser um dos principais beneficiados deste.

A Revolução Verde, que levou a um aumento na produtividade das quintas, baixou o preço das mercadorias de comida apesar da população global ter aumentado para o dobro de 1959 para 1998.

O que realmente interessa para as mercadorias não é o tamanho da população mas a sua riqueza.

O que tornou o início do século tão diferente foi que uma grande parte da população mundial assistiu a um rápido aumento no rendimento económico. Um mundo de 76 mil milhões de dólares pode gozar de preços moderados nas comodidades só se metade da sua população permanecer pobre e se cerca de um quinto continuar à fome.

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