Indústria do calçado

JAK Shoes “Queremos ter 20 lojas nos próximos cinco anos”

José Maria Reffoios, co-fundador da JAK Shoes, na loja da rua de Santa Catarina, no Porto. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens
José Maria Reffoios, co-fundador da JAK Shoes, na loja da rua de Santa Catarina, no Porto. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

Depois da flagship store no Porto, a marca de sapatilhas minimalistas de luxo de José Maria Reffoios e Isabel Henriques da Silva olha para Lisboa, Estados Unidos e Inglaterra.

Nascida como projeto exclusivamente online, em 2014, a JAK Shoes avançou, em finais de 2019, com a abertura do seu primeiro espaço físico, uma flagship store no Porto, na principal artéria de comércio da cidade, a rua de Santa Catarina. Agora, a marca de sapatilhas minimalistas de luxo, quer instalar-se em Lisboa, mas não só. Tem em vista cidades como São Francisco, Londres, Berlim, Amesterdão, Copenhaga, Madrid, Paris ou Barcelona. “Dentro de cinco anos gostaríamos de ter 20 lojas, mas em cidades relevantes para a marca, onde a cultura dos sneakers seja uma realidade”, diz José Maria Reffoios.

A JAK Shoes é uma parceria de José Maria e de Isabel Henriques da Silva, que quiseram criar uma marca de slow fashion que não obedece às regras tradicionais da moda. Não tem produtos sazonais, não faz coleções, não faz saldos a cada seis meses. “Queremos acreditar que este modelo do retalho de consumo está ultrapassado”, defende José Maria, sublinhando que “é, também, uma forma de mantermos alguma saúde financeira em termos de stocks”. Produzida com recurso a materiais de “elevada qualidade”, a JAK vai lançando 10 a 15 novos modelos ao longo do ano, e descontinuando outros. Neste momento, tem 43 modelos disponíveis, todos unissexo. “A nossa génese é de cores neutras, calçado muito minimalista, não sentimos ainda a necessidade de diferenciar géneros”, explica. Todos os modelos são desenhados por Isabel.

Maioritariamente produzidas em couro – embora a marca admita lançar modelos têxteis no futuro –, as JAK Shoes custam, em média, 150 a 170 euros. Mas, em breve, surgirão novos modelos, com “solas inovadoras e ainda mais amigas do ambiente”, que vão fazer subir os preços para os 220 a 230 euros. “Não são baratos, porque são um produto de grande qualidade que queremos que durem muito tempo, não é coisa para usar uma estação ou duas e descartar”, justifica o jovem empresário. E a verdade é que dos 10 mil clientes online que a marca já conquistou, 35% volta para comprar no espaço de 24 meses.

“Muitas vezes são clientes que compraram umas sapatilhas pretas e vêm à procura do modelo igual em branco, porque percebem que o preço é justo e até barato comparado com a concorrência”, diz.
Cada par é acompanhado de um pequeno kit com um par de palmilhas extra, mais finas, um par de atacadores a mais e um saco de pano para transporte. Todas as palmilhas são forradas a couro. O modelo mais vendido continua a ser o primeiro lançado pela marca, o Royal, nas versões preta e branca.

José Maria e Isabel não são alheios ao mundo do calçado. Na verdade, Isabel é designer de moda e uma apaixonada por sapatos, e sempre teve por objetivo criar a sua própria marca, que arrancou, em 2012, com a Officina Lisboa. Começou pelo calçado clássico de senhora e, entretanto, já alargou a homem. José Maria gostou do projeto e tornou-se investidor. Em 2014, conscientes da falta de marca de sapatilhas de luxo, unissexo, e conhecendo já o setor e as fábricas de calçado nacionais, avançam com a JAK Shoes, vendida diretamente ao cliente, online. Começaram por produzir em várias fábricas, na zona de Santa Maria da Feira, mas acabaram por concentrar tudo numa única. “É um negócio familiar, que já já na segunda geração, gostaram da ideia e gostaram de nós, tem sido uma experiência interessantíssima”, explica José Maria. Que elogia a qualidade de modulação, construção, costura e acabamentos da empresa e o seu profissionalismo na relação com os fornecedores e cumprimento de prazos. E o consumidor agradece. “O fabrico made in Portugal valoriza imenso o produto, a qualidade do calçado português é reconhecida em todo o mundo e os clientes estão dispostos a pagar por ela”, garante.

Em 2019, a JAK Shoes quase triplicou as vendas e chegou a 1,3 milhões de euros de faturação. Este ano espera duplicá-las, com as vendas online a representarem 1,5 milhões de euros. As sapatilhas JAK já calçam clientes em todo o mundo, com especial destaque para os mercados europeus e os Estados Unidos, onde a empresa teve de instalar um armazém para assegurar as trocas e devoluções localmente, para evitar custos acrescidos em termos alfandegários. “Os EUA estão-se a afigurar como o nosso principal mercado. É o único país com 330 milhões de consumidores com um elevado poder de compra e com afinidade por tudo o que são produtos portugueses. Além de que gostam muito do nosso calçado. Acreditamos que é o mercado podemos crescer mais”, frisa. Inglaterra e Alemanha são outras grandes apostas.

“Queremos abrir uma loja fora de Portugal, num país de língua oficial inglesa, por ser mais fácil a gestão do esforço de implementação da marca. Ainda há pouco estive em Inglaterra a estudar o mercado, mas a incerteza dos termos do acordo pós-brexit complicam tudo”, refere José Maria Reffoios. Nos EUA, a distância é uma “dificuldade”, mas é um mercado “fácil para trabalhar, onde há imensa flexibilidade laboral e onde os serviços funcionam”. São Francisco é uma das hipóteses, como é Nova Iorque ou Chicago. “Está em estudo. Antes disso, queremos abrir outro espaço em Lisboa, que é uma forma de darmos um rosto a uma marca que nasceu online. É uma forma de dar mais confiança ao próprio negócio online”. José Maria não descarta a possibilidade de abrir o capital a um investidor que venha “ajudar a acelerar este processo de expansão”.

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