Coronavírus

João Neves : “Governo vai dar apoios para o comércio fazer as adaptações”

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Secretário de Estado Adjunto e da Economia quer um reforço da produção nacional e dar confiança ao país.

Os agentes económicos exigem conhecer o plano de ação que servirá de bússola para o relançamento económico. O governante avança aqui algumas medidas.

Por onde começa a reabertura?
Pelo comércio de proximidade, de pequenas lojas com dimensão até 200 metros quadrados, com regras de acesso tal e qual como fizemos para os supermercados e lojas de comércio alimentar. Este é um sinal para os pequenos comerciantes poderem ter uma espécie de respiração em relação a este período muito difícil.

Restaurantes e creches dizem não valer a pena abrir sem capacidade máxima. O que tem a dizer a estes empresários?
Compreendemos bem as dificuldades porque todos estamos a passar por elas, mas há um valor que todos temos de ter em conta e que é o valor da saúde.

Admite que boa parte desses negócios possa não reabrir?
Isso é uma avaliação que cada empresário tem de fazer em função das características de afastamento entre as pessoas e do negócio que podem ter a partir das regras estabelecidas. Mas não é possível encontrar uma solução de facilitismo na resposta ao vírus. Se a avaliação é de que o impacto é muito pequeno ou não há impacto deste progressivo desconfinamento, com certeza que, do nosso lado, o que queremos é criar condições para que o desempenho empresarial seja o melhor possível.

De que forma a regulamentação para reabrir espaços comerciais vai ser simplificada – ou não? A ACT impôs 19 regras aos espaços. Demasiado complicómetro, dizem os empresários.
Percebo que quando sai uma lista muito completa as pessoas fiquem preocupadas. Não vale pena pensarmos que as regras são aligeiradas, porque se as pessoas não se sentirem seguras então o negócio não vai prosperar.

Nesta reabertura serão precisas adaptações e pequenas obras. O governo vai apoiar o comércio nesta fase de transição?
Sim. Vamos ter em consideração a definição de apoios específicos que possam minimizar o impacto das adaptações que vamos ter de fazer nas atividades comerciais e também industriais.

Quando serão conhecidos esses apoios para a adaptação?
Após o último conselho de ministros [de quinta feira], teremos um desenho publicável, que permita a aplicação por parte dos agentes económicos, nos próximos dias.

Simplificou o regulamento para produção do álcool gel. Que resultado espera obter?
Temos de ter disponibilidade de máscaras, viseiras, desinfetantes para as necessidades dos vários grupos. Foi isso que tentámos construir: regras de segurança e disponibilidade desses materiais e, ao mesmo tempo, tentando estimular a produção nacional, já que a internacional é escassa. Espero que nos próximos dias tenhamos vários múltiplos daquilo que é a produção anterior de desinfetantes de mãos.

Que tipo de empresas desafia a aderir à produção de álcool gel?
De bebidas espirituosas, atividade vinícola, de cosmética, mas também de produtos químicos e petroquímicos.

E onde os poderemos adquirir?
A intenção é, tal e qual como nas máscaras de uso social, que estes desinfetantes estejam não só nos canais tradicionais, mas nas prateleiras dos supermercados e pequeno comércio. Com difusão global, para que qualquer pessoa e com facilidade possa ter acesso.

Com esta medida quer reduzir a dependência da China?
Um dos principais défices comerciais em Portugal era nesta área. Se queremos ter um sistema de saúde sustentável e com autonomia estratégica, precisamos de cruzar capacidades de produção com as de utilização, numa base que é aberta e concorrencial.

Na área agrícola, o governo vai criar campanhas de incentivo a comprar o que é nacional?
Vai haver, sim. Vamos construir, com parceiros associativos, mecanismos de promoção da aquisição de produtos de produtores locais.

E como serão adaptadas as praias portuguesas?
Queremos ter condições de gozar férias em Portugal. Mas é cedo para ser preciso no calendário que vá além dos próximos dois meses.

Admite voltar a considerar apoios aos sócios gerentes com empregados, que ficaram fora das ajudas?
O espaço para essa decisão já passou; nós estamos agora a começar a olhar para o processo de relançamento da economia.

Está otimista ou pessimista, face ao fundo de recuperação para a Europa e às próximas decisões do Conselho Europeu?
Não vale a pena ser otimista ou pessimista, mas perceber que desta vez vamos ter alguns mecanismos de solidariedade coletiva que respondem às necessidades individuais de cada Estado. Há um muito importante e que tem que ver com o financiamento de atividades relacionadas com o impacto no emprego de forma direta. E, claramente, ainda é insuficiente.

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