Health Cluster Portugal

Joaquim Cunha: “Exportações na saúde chegarão a 1,4 mil milhões neste ano”

Joaquim Cunha , diretor executivo da Health Cluster Portugal 
( José Carmo / Global Imagens )
Joaquim Cunha , diretor executivo da Health Cluster Portugal ( José Carmo / Global Imagens )

Joaquim Cunha, diretor executivo do Health Cluster Portugal, fala, em entrevista ao DV, sobre as oportunidades do setor.

Num momento em que as exportações em saúde de Portugal crescem a um ritmo superior ao da restante economia e sendo a Alemanha o maior mercado da União Europeia, com mais de 82 milhões de habitantes e despesa com o setor a ultrapassar os 11,1% do PIB (bem acima dos 9,1% em Portugal e dos 9,9% na média da UE), o Health Cluster Portugal organizou, em parceria com a Aicep, a conferência Em Foco Alemanha – Cluster da Saúde.

No mesmo dia, o presidente do Health Cluster Portugal, Joaquim Cunha, falou ao Dinheiro Vivo dos maiores desafios e oportunidades num setor que promete fechar o ano em recordes de vendas ao exterior.

De que forma pode Portugal potenciar o setor da saúde, nomeadamente ao nível das exportações?

A Saúde que se faz em Portugal faz-se bem. Faz-se bem na ciência, onde ocupa hoje o primeiro lugar em termos de publicações e onde é crescente o reconhecimento internacional dos cientistas, dos institutos e das universidades portuguesas que trabalham nos domínios associados à saúde e às ciências da vida. Faz-se também bem na prestação de cuidados, onde dispomos de bons indicadores num Serviço Nacional de Saúde que, independentemente de flutuações mais ou menos conjunturais, tem inteligentemente sabido tirar vantagens da harmoniosa conjugação entre o público, o privado e o social. E faz-se ainda bem na dinâmica empresarial, onde tem vindo a crescer a afirmação global das empresas portuguesas da Saúde com alguns casos de assinalável desempenho.

Estas histórias de sucesso, onde não será indiferente a qualidade – igualmente reconhecida internacionalmente – dos recursos humanos das diferentes profissões da Saúde, constituem sobretudo um elevado potencial que tem vindo a ser materializado no comportamento das exportações nacionais de bens, essencialmente medicamentos e dispositivos médicos, as quais duplicaram na última década estimando-se que no ano em curso possa fechar em valores na casa dos 1,4 mil milhões de euros. Este potencial encontrará, expectável desejavelmente, nos próximos anos, tradução em exportações em áreas emergentes como a investigação e desenvolvimento e a prestação de cuidados a não residentes.

Que destinos são apostas seguras nessas vendas para fora?

Os principais destinos das exportações portuguesas em Saúde têm vindo a coincidir com mercados de referência em termos de exigência, o que de algum modo atesta a competitividade dos nossos produtos. No atual top 5, e por esta ordem, encontram-se a Alemanha, o Reino Unido, os EUA, a Espanha e França.

A investigação em Portugal tem dado passos relevantes nessa área… uma maior ligação com universidades e hospitais seria desejável?

A Saúde é manifestamente um setor de conhecimento intensivo e, nessa medida, o bom desempenho e a competitividade crescente da investigação e desenvolvimento que se faz no nosso país tem sido importante fator diferenciador e, como já referido, potenciador do desenvolvimento do setor. Contudo, o grande desafio que coletivamente temos pela frente passa por privilegiar estratégias de valorização ativa do conhecimento científico e clínico gerado nas universidades e nos hospitais levando à sua transformação em produtos e serviços competitivos à escala global. Dito de outra maneira, a aposta terá de ser feita, cada vez mais, no ciclo da inovação.

Qual o peso que o setor privado pode assumir no objetivo de aumentar as exportações nesta área e de que forma podem o Estado e o novo contexto político saído das eleições de dia 6 de outubro influenciar esses investimentos?

A materialização do objetivo de aumentar as exportações em Saúde é tarefa que está sobretudo na mão das empresas sendo de destacar os resultados que nos últimos anos estas têm conseguido neste domínio. Ao setor público e ao Estado cabe, no entanto, um papel muito importante na ativação das necessárias e ajustadas políticas públicas que deverão assegurar as melhores condições de contexto. O Pacto para a Competitividade e Internacionalização para a Saúde, que em março último foi assinado entre o governo e o Health Cluster Portugal, é um excelente exemplo da cooperação e do alinhamento estratégico nesta área.

Portugal podia tornar-se num destino de turismo de saúde e apostar mais em turismo sénior dirigido a pensionistas europeus?

As novas e emergentes tecnologias vêm acelerar e trazer para cima da mesa desafios como o da crescente transacionabilidade da prestação de cuidados. Da desamarração ao território, materializada na opção em poder escolher para me tratar outro país que não aquele onde habitualmente resido. Porquê? Por razões de acesso, de custo e, sobretudo, de qualidade. É grande o potencial desta dinâmica, a que se tem vindo a chamar internacionalmente de Medical Tourism. A realidade nacional neste domínio é, a exemplo do que se passa na grande maioria dos países com quem habitualmente nos comparamos, a dos primeiros passos, ainda que cada vez mais seguros e reativos aos sinais do mercado. Este quadro articula com a afirmação crescente da Saúde enquanto motor do desenvolvimento económico e social e um dos nossos principais fatores diferenciadores no mercado global. E assim, além do potencial do Turismo de Saúde é hoje inquestionável a valia da Saúde no Turismo.

Podia a Europa aproveitar melhor as sinergias da UE para melhorar-se e minimizar diferenças na assistência nos vários países-membros?

Do ponto de vista teórico e conceptual parece fazer sentido que, a exemplo de outras dimensões, a UE tenha como ambição o estabelecimento de um mercado europeu da Saúde. A Diretiva de Cuidados Transfronteiriços (2011) foi um passo nessa direção que não deu resultados. Talvez tenha sido cedo demais.

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