Reportagem

José Calixto: “Temos de correr o dobro para chegar ao mesmo sítio”

José Calixto, presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz. Foto: Nuno Taborda/ DV
José Calixto, presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz. Foto: Nuno Taborda/ DV

Está à frente da Câmara de Reguengos de Monsaraz há uma década e tem visto o concelho atrair milhões de euros em investimentos.

José Calixto admite fazer “algum lóbi político” nesse sentido, como aconteceu com a Maporal, que passou de um fecho anunciado para uma faturação anual de 100 milhões. Antevê um futuro promissor para a região, graças ao novo bloco de rega que ficará concluído até 2023.

O CEO da Maporal diz que teve um papel crucial na aposta da empresa em Reguengos. O que foi feito?
Um autarca tem de criar condições para fixar a população, sobretudo no Alentejo onde esse problema é grande. A Maporal cria mais de uma centena de postos de trabalho, está no Compete 2020 à espera de um investimento de nove milhões e carece da nossa atenção específica e do nosso lóbi político, que por vezes contrabalança a burocracia. Dentro da lei é natural que façamos pressão para que as coisas aconteçam.

Que novos projetos e investimentos deverão surgir no concelho nos próximos anos?
Há vários projetos na área do enoturismo e da vitivinicultura. Também estamos a acompanhar o maior investimento do Estado alguma vez feito no concelho, que é o bloco de rega agrícola, que deverá ter muito impacto. São cerca de 30 milhões de euros que irão irrigar 11 mil hectares. Os concursos públicos internacionais serão lançados ainda em setembro. A água deverá chegar aos terrenos entre o final de 2022 e o início de 2023.

É de esperar que esse bloco de rega traga novas culturas, à semelhança do que tem vindo a acontecer com Alqueva?
Sim, há condições para a plantação de amêndoa ou pistacho, por exemplo. Recentemente estivemos com 30 agricultores e fornecedores na Califórnia a estudar formas de gestão da água e de novas oportunidades.

Mas o motor da agricultura nesta zona continua a ser o vinho?
Sim, em anos bons produzimos 30 milhões de litros de vinho de elevada qualidade. Temos estado numa fase de grande desenvolvimento de unidades de enturismo. Vamos realizar a quinta conferencia mundial deste setor em outubro de 2020, o que é resultado da aposta estratégica que fizemos a partir de 2015, dando apoio aos produtores para que eles promovam canais diretos de distribuição, eliminando intermediários.

De que sentem mais falta em termos de apoios?
A falta de descentralização, que faz com que as coisas aqui aconteçam mais devagar do que nas cidades e no litoral. É um drama, temos de correr o dobro para chegar ao mesmo sítio. Pela positiva destaco que assinámos há dias um protocolo com a IP que irá viabilizar uma estação de mercadorias próxima de Reguengos, que será fundamental para serem vendidos mais produtos.

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