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José Veiga Sarmento: “Sem benefícios as pessoas não poupam”

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logo_poupança_solo_curvas-02-1024x580A reintrodução dos benefícios fiscais é essencial para tornar os PPR mais interessantes, defende o presidente da APFIPP.

Tendo em conta o estudo da Comissão Europeia, que coloca Portugal numa situação preocupante em termos demográficos e de natalidade, há um prazo para a passagem para um sistema misto, em que a Segurança Social deixe de ser a única fonte de proteção na reforma?
O prazo já passou. É um processo que já devíamos ter começado há anos, já que a demografia não é algo que aconteça inesperadamente. Ao contrário de outros países da Europa, que trabalharam no sentido de encontrar formas de acompanhar o esforço do Estado na proteção da reforma, esse trabalho não foi feito em Portugal. É um tema complexo, que necessita da intervenção de especialistas que conheçam a experiência europeia. Quanto mais tarde começarmos, mais difícil a solução.

As alterações que os PPR sofreram nos últimos 30 anos subverteram o seu espírito inicial?
Não diria subverter, mas modificaram o objetivo inicial. Ainda temos hoje um instrumento para a poupança na reforma, que são os Fundos de Pensões, que estão protegidos, já que não podem ser mobilizados. Os PPR ganharam outras características mas mantêm um interesse muito grande, na medida em que, apesar de não existirem benefícios fiscais à entrada, mantêm algum benefício no que toca à acumulação de rendimento. O PPR é o único instrumento de poupança de longo prazo individual que temos e ainda é muito interessante.

Seria mais interessante se fossem retomados os benefícios fiscais?
Quem conhece o que é a reforma na Europa sobre este tema sabe que sem benefícios fiscais as pessoas não poupam.

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