Jovens mais castigados com o desemprego. Taxa regressa acima de 20%

Taxa de desemprego terá ficado nos 6,3% em abril, mas INE avisa que “revisão poderá ser substancial”. População ativa ao nível mais baixo desde 1999.

A taxa de desemprego entre os jovens portugueses terá subido quase dois pontos percentuais em abril face ao mês de março, para 20,2%, o valor mais alto desde outubro de 2018, quando atingiu os 20,5%.

Esta cifra ainda está longe dos valores registados durante a intervenção da troika quando ultrapassou os 40%, mas é um sinal da degradação do mercado de trabalho. Habitualmente são os jovens trabalhadores os primeiros a engrossarem o contingente de desempregados, uma vez que têm vínculos laborais mais frágeis: contratos a prazo, período experimental ou recibos verdes.

O aumento da taxa de desemprego entre os jovens contrasta com a evolução na população adulta. “A taxa de desemprego dos adultos foi estimada em 5,3%”, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE), mantendo-se igual à do mês de março deste ano.

O valor calculado pelo INE foi divulgado ontem e ainda é uma estimativa a necessitar de confirmação. E o mesmo se aplica à taxa de desemprego total estimada para abril e que se terá fixado nos 6,3%, um ligeiro aumento face a março (6,2%). Por isso, o gabinete de estatística alerta para que seja tido “especial cuidado na análise das estimativas provisórias”.

População empregada e ativa encolhe

Os resultados do inquérito ao emprego mostram que a população empregada, ou seja, o número de pessoas com trabalho está a diminuir, mas a taxa de desemprego também, tendo descido em março e subido muito ligeiramente em abril (de 6,2% para 6,3%).

Esta aparente contradição é explicada pelo INE. De acordo com o gabinete de estatística, em março a população desempregada diminuiu 14,4 mil pessoas (4,3%) e a população empregada diminuiu 26,2 mil pessoas (0,5%)”, ou seja, há menos desempregados, mas também menos empregados. Então o que explica esta evolução?

A taxa de desemprego é a relação entre a população desempregada (que diminuiu) e a população ativa (que encolheu ainda mais). “Esta evolução sugere a passagem de empregados e de desempregados para a situação de inatividade”, conclui o INE, indicando que “a redução da taxa de desemprego observada no trimestre centrado em março, não pode ser dissociada do aumento da taxa de inatividade”.

Em março, a população ativa diminuiu 40,6 mil pessoas (0,8%) e a população inativa aumentou 39,5 mil pessoas (1,5%). Em abril, a estimativa provisória da população inativa, aumentou 2,1% (56,5 mil). “Já a diminuição mensal da população ativa (55,8 mil) resultou do decréscimo da população empregada (58,1 mil) ter mais que compensado o aumento da população desempregada (2,2 mil)”, explica o INE.

De facto, o número de pessoas que dizem não estarem disponíveis para trabalhar (inativos) está no valor mais baixo desde maio de 1999. E isso pode estar relacionado com os critérios que são considerados no inquérito.

“Já o ligeiro aumento mensal da população desempregada e da taxa de desemprego, sugeridos pelas estimativas provisórias de abril de 2020, parecem decorrer das medidas de reabertura da economia iniciadas em maio”, aponta o INE, uma vez que já é possível procurar emprego, com os inquiridos a referirem disponibilidade para trabalhar.

Revisão “substancial”

Devido à pandemia da covid-19, os dados recolhidos pelo INE para calcular os indicadores do mercado de trabalho em Portugal podem não estar a refletir a realidade e o gabinete de estatística deixou vários avisos no destaque publicado ontem.

“Ainda que estas medidas se tenham iniciado apenas nas últimas semanas do mês de março, os resultados apresentados neste destaque foram já afetados, uma vez que a mobilidade da população foi muito limitada”, sublinham os técnicos do INE, acrescentando que “o impacto da pandemia nas estatísticas do mercado de trabalho está mais patente nas estimativas provisórias de abril do que nas estimativas definitivas de março”, frisa.

Por tudo isto, o INE salienta que, “sendo estimativas provisórias, estão sujeitas a revisão que, em tempos de incerteza como os atualmente vividos, poderá ser substancial”, ou seja, quando saírem os dados definitivos a taxa de desemprego, por exemplo, poderá ser muito mais alta do que estimado.

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