Comissão Europeia

Juncker apela a que “pedido de Brexit aconteça o mais rapidamente possível”

Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

O presidente da Comissão Europeia fez o discurso do Estado da União, no Parlamento Europeu, onde alertou para a importância da união entre países.

“Há um ano, em setembro de 2015 no Estado da União disse que o Estado da União deixava muito a desejar. Hoje continua a deixar muito a desejar.”

Foi desta forma que Jean-Claude Juncker arrancou o discurso do Estado da União, dizendo que o Estado da União ainda hoje deixa muito a desejar, com os interesses nacionais a sobreporem-se aos interesses europeus, fortes desigualdades, elevado desemprego apesar de terem sido criados oito mil postos de trabalho. Mas apelou à preservação do “modo de vida da Europa” para as gerações futuras. “Todos temos de assumir as nossas responsabilidades e construir a Europa e, conjunto”, apelou.

Juncker entrou no detalhe do estado da União, começando pelo Brexit, a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, tomada no referendo de 23 de junho.

“Muitos dizem que o Brexit é o início da desintegração da UE”, afirmou Juncker. “Respeitamos e temos pena da decisão do Reino Unido mas a União Europeia como tal não está em risco”, acrescentou, apelando a uma saída rápida do Reino Unido.

“Ficaríamos satisfeitos que o pedido para o Brexit acontecesse o mais rapidamente possível para podermos tomar os passos necessários e para que a nossa relação com o Reino Unido possa manter-se”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, frisando que tem de haver acesso livre a bens e serviços.

“Não pode haver acesso a la carte ao mercado único”, avisou.

O presidente da Comissão Europeia apelou também à ratificação do tratado de Paris, dizendo que o adiamento “faz-nos parecer ridículos” perante a comunidade internacional.

Juncker frisou ainda a importância da União Europeia e porque é que os países europeus resolveram unir-se. Lembrou ainda que a política monetária do BCE permitiu aos Estados poupar ao todo 50 mil milhões de euros (em juros) que “podem agora ser aplicados noutras necessidades”.

“Os próximos 12 meses são cruciais para produzir uma Europa melhor. Estou convencido que o modo de vida dos europeus é algo que merece ser preservado”.

As prioridades da Europa

Juncker elencou também algumas das prioridades da União Europeia, desde a inclusão social, ao fim dos conflitos mas também às medidas antidumping e contra a evasão fiscal, com as empresas a pagar impostos no sítio onde ganham dinheiro (embora não tenha referido a multa à Apple) e o investimento na conectividade, com a reforma para o mercado das telecomunicações europeu, através de um novo quadro jurídico para a conectividade.

“A Comissão propõe uma rede 5G até 2020 que seja acessível a muitos e tenha o potencial de criar mais dois milhões de postos de trabalho na Europa”, lembrou Juncker, dizendo que”todos devem ter acesso a esta rede. Queremos ligar todas as vilas europeias a esta rede até 2020″.

O ponto chave, contudo, é a criação de emprego na Europa. Mais de 200 mil empresas europeias já foram criadas através de um fundo para o investimento empresarial, que Juncker quer agora duplicar e fornecer 500 mil milhões de euros adicionais para investimento e ter assim 630 mil milhões de euros. Sobretudo o desemprego jovem, que está a preocupar a União Europeia e onde Juncker quer que sejam criadas oportunidades.

Sobre o sector bancário, Juncker referiu que “os bancos europeus estão em melhor estado do que estavam há dois anos” mas lembrou a importância da estabilidade financeira. “É urgente acelerarmos o nosso trabalho na união do mercado de capitais. Vamos apresentar propostas concretas e tornaremos o nosso sistema financeiro mais resiliente.”

Migrantes, terrorismo e controlo de fronteiras

Bruxelas também está atenta ao controlo das fronteiras, ao problema dos migrantes e vai lançar um programa de ajuda ao desenvolvimento em África.

“A comissão propõe hoje a criação de um corpo de solidariedade europeu. Jovens por toda a Europa podem apresentar-se como voluntários para ajudar, seja a crise dos migrantes ou o terramoto em Itália. Queremos que em 2020 este corpo tenha 100 mil jovens”, anunciou.

Juncker lembrou também o tema do terrorismo, que tem assolado a Europa, frisando a importância da segurança. Por isso, o presidente da Comissão Europeia quer reforçar o controlo das fronteiras.

Vai ser criada uma força de 200 efetivos na fronteira da Bulgária e anunciou que haverá um controlo mais apertado de quem entra na União Europeia.

“Até ao mês de novembro vamos propor um sistema de viagem automatizado, onde temos quem está autorizado a viajar para a Europa. Sabemos assim quem viaja para a Europa antes dessa pessoa chegar à Europa”. Em cima da mesa está também o reforço da Europol, entidade europeia para a segurança.

“Uma Europa que protege terá de proteger também os seus interesses além das fronteiras”, frisou. “Se quisermos ser influentes no mundo é evidente que só em conjunto poderemos agir”.

Juncker lembrou também a importância de uma solução na Síria.

A importância da Defesa é fundamental e será proposta a criação, até ao final de um ano, de um fundo para a Defesa, para promover a investigação.

O presidente da Comissão Europeia esteve esta manhã a proferir no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o discurso sobre o estado da União, assinalando o início do diálogo entre Conselho, Comissão e Parlamento, previsto no Tratado de Lisboa, com vista à elaboração do programa de trabalho da Comissão para 2017.

Jean-Claude Junker apresenta o estado da União dois dias antes de se reunir, em Bratislava, numa cimeira informal com 27 líderes da UE para debaterem o futuro.

(atualizada às 8h58 com conclusão da intervenção de Juncker)

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