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Juros aliviam, euro desce e bolsas ganham após decisão do BCE

Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

O banco central vai cortar o ritmo das compras para metade. Mas mantém o programa ativo até pelo menos Setembro do próximo ano.

A dívida dos países da zona euro está a reagir positivamente ao anúncio do BCE de estender o programa de compras, mas a um ritmo mais reduzido. A taxa das obrigações portuguesas a dez anos caiu para um mínimo de 2,77% logo após a decisão do banco central. Esta manhã, os juros implícitos chegaram a negociar acima de 2,30%, segundo dados da Reuters.

Também a bolsa portuguesa teve uma primeira reação imediata à decisão da instituição liderada por Mario Draghi. O PSI20 ganha 0,64% depois de ter negociado em terreno negativo durante grande parte da manhã. No mercado cambial o euro desce 0,50% para 1,1757 dólares. Antes da decisão chegou a negociar acima da fasquia de 1,18 dólares.

BCE mantém em aberto data do fim do programa

Esta primeira reação do mercado sugere que o mercado está a interpretar a decisão do BCE como uma forma de manter as condições suaves de política monetária na zona euro. Apesar de o ritmo de compras ser menor, o banco central terá um papel ativo no mercado durante mais tempo.

Apesar de os mercados se terem ajustado à decisão do BCE, o consenso apontava para medidas deste tipo. A maior parte dos bancos de investimento antevia que o ritmo mensal das compras baixasse de 60 000 milhões de euros para 30 000 milhões ou 40 000 milhões de euros até, pelo menos setembro do próximo ano. Alteração que teria efeito a partir de janeiro.

O banco central optou mesmo por reduzir as compras para metade. Mas seguiu o guião no que diz respeito ao prazo do programa. O corte no ritmo do programa começa em janeiro e “até final de setembro de 2018, ou depois disso, se necessário, e em qualquer dos casos até o Conselho de Governadores ver um ajustamento sustentado da trajetória de inflação consistente com o seu objetivo”.

Além de manter a opção de prolongar o programa, o BCE referiu ainda que continua com a opção de aumentar o programa, quer em termos de ritmo de compras como de prazo. Um sinal de que em caso de necessidade poderá aumentar novamente a dose de estímulos para apoiar a economia da zona euro o que, numa reação inicial, aparenta ter deixado os investidores tranquilizados.

A extensão do prazo do programa pode também significar que as taxas de juro levem mais algum tempo a ser alvo de subidas, com o mercado a antecipar que isso possa acontecer apenas em 2019. Isto porque o BCE referiu que “continua a esperar que as taxas de juro de permaneçam nos níveis atuais por um longo período de tempo” e que assim permaneçam até o programa alargado de compras de ativos terminar.

As taxas de referência estão em níveis mínimos, uma forma de estimular a concessão de crédito na zona euro e de facilitar as condições de financiamento dos bancos. A taxa de depósito é de -0,40% e a principal taxa de refinanciamento é de 0%.

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