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Juul Labs deixa Portugal ao fim de oito meses

Foto JUUL e JUUL pods 1

Empresa de e-cigarettes chegou com estrondo ao mercado nacional em outubro. “Revisão estratégica” leva à saída.

A Juul Labs, startup americana de cigarros eletrónicos, vai deixar o mercado português apenas oito meses depois de aqui chegar. Numa carta aos clientes a que o DV teve acesso, a empresa refere “várias mudanças na sua estrutura e operações a nível global” e diz ter sido forçada a executar uma “revisão estratégica”, “avaliar o negócio global” e “redefinir prioridades”, pelo que tomou a decisão de “suspender as operações comerciais em Portugal por tempo indeterminado”.

Além de Portugal, a startup optou também por deixar outros mercados europeus, incluindo Espanha, Áustria, Bélgica, França e Israel.

Em outubro, quando anunciou a entrada no mercado nacional, a Juul Labs chegava já com 30 trabalhadores contratados em Portugal, ainda que não revelasse valores de investimento. A aposta era então a de ter no mercado “uma alternativa de menor risco para os adultos que não querem ou não conseguem deixar de fumar”.

Nascida da cabeça de dois empreendedores de São Francisco – que não podiam fumar nas instalações da sua empresa -, em quatro anos a Juul conseguiu dominar o mercado de closed vaping nos Estados Unidos (75%). Há pouco mais de um ano começou a internacionalizar-se e Portugal foi o 19.º país a receber os produtos deste unicórnio. Os fundadores, James Monsees e Adam Bowen, “sempre quiseram servir globalmente o mercado, mas queriam ver primeiro como corria”, admitia em entrevista ao Dinheiro Vivo um mês antes da entrada em Portugal o presidente da Juul Labs para a região da Europa, Médio Oriente e África, Grant Winterton.

De acordo com a Bloomberg, no final do ano de 2019 as receitas da JUUL – que conta com uma participação, só de capital, da Phillip Morris International, dona da Tabaqueira – ultrapassavam os 3,4 mil milhões de dólares. A companhia estava em plena expansão.

Mas pouco mais de meio ano depois, o cenário mudou radicalmente, precipitando uma decisão radical. Um passo que os responsáveis asseguram que nada tem que ver com a forma como o negócio estava a correr por cá ou sequer com eventuais “dúvidas sobre o potencial da marca, sobre esta categoria de vaping ou sequer sobre a indústria”, mas antes se justifica pela necessidade de a empresa garantir a sua sobrevivência.

Nem o regime fiscal português elogiado por Grant Winterton no lançamento nacional da empresa – quando destacava que “o governo português tem uma posição certa em relação aos produtos alternativos aos cigarros, diferenciando-os mesmo ao nível dos impostos” – foi suficiente para impedir o desfecho surpreendente.

“Para nós, enquanto equipa de Portugal, esta é uma decisão muito difícil”, sublinham por isso os responsáveis em Portugal, no documento enviado aos pontos de venda em que tem presença e a que o DV teve acesso. Na mesma mensagem, afirmam que desta aventura, ainda que curta, ficará “o sentimento de orgulho pelo trabalho feito e pelas metas que conseguimos alcançar em tão escasso período de tempo”. Considerando o valor do projeto e da equipa que aqui mantinham, os responsáveis pela empresa americana no país sublinham ainda os “excelentes resultados” conseguidos em tempo recorde.

“Esta difícil decisão mostrou-se necessária para posicionar a JUUL Labs Internacional no longo prazo, garantindo que a empresa seja financeiramente sustentável no futuro”, afirmam ainda na mesma comunicação, agradecendo aos clientes o papel assumido nesta relação de “colaboração e confiança”, que foram “fundamentais para fazer da JUUL a marca líder e preferida dos consumidores deste produto em Portugal”.

A empresa americana, que contava com cerca de 3 mil pontos de venda no país, sublinha ainda, na carta aos clientes, que “esta pandemia inesperada, que paralisou grande parte do mundo, mostrou que os serviços (dos responsáveis pelos pontos de venda), especialmente na revenda de produtos derivados de tabaco, são uma necessidade básica neste país”.

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