Lagarde. 20% dos empresários planeia cortar no pessoal a efetivo quando a economia abrir

Presidente do BCE pediu aos governos europeus que façam mais para elevar os níveis de confiança das famílias e dos empresários pois, argumentou, só dessa forma dá para maximizar os efeitos do dinheiro barato.

A economia começa a reabrir gradualmente nos próximos meses, mas há um problema: uma em cada cinco empresas está a considerar reduzir os chamados empregos permanentes, o pessoal do quadro, a efetivo, avisou a presidente do Banco Central Europeu (BCE), num evento da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), que decorreu esta segunda-feira (dia 22 de fevereiro).

Tendo isso em mente, Christine Lagarde pediu aos ministros das Finanças e aos governos europeus que façam mais para elevar os níveis de confiança das famílias e dos empresários pois, argumentou, só dessa forma dá para maximizar os efeitos do dinheiro barato do BCE. É preciso mais gente a chegar-se à frente para aumentar o potencial da economia europeia.

No encontro da "Semana Parlamentar Europeia", que se realiza sempre no primeiro semestre de cada ano em Bruxelas, e engloba a conferência sobre o Semestre Europeu, a líder do BCE explicou que existe um novo "desafio político" que "surgirá à medida que a economia for reabrindo gradualmente". É um desafio que "será bem diferente".

Para Lagarde, a questão que se coloca de 2021 inclusive em diante, não é "retornar ao status quo pré-pandémico", mas sim "trazer a economia rapidamente de volta ao potencial, usando o impulso da recuperação para transformar as economias".

Segundo a alta responsável pelas taxas de juro e pelos programas de dinheiro ultrabarato (a custo quase zero para os bancos e, ato contínuo, para os Estados também), "o foco será diminuir os danos causados pela pandemia, como a redução de empregos permanentes".

"Uma em cada cinco empresas está a considerar" fazer isso, cortar nos quadros, quantificou a ex-chefe do FMI.

"Ao mesmo tempo, será crucial aproveitar o potencial oferecido pela pandemia, que impulsionou um salto de vários anos no progresso digital e trouxe um novo foco à importância da sustentabilidade ."

"As tecnologias digitais e verdes oferecem enormes possibilidades para um crescimento mais vibrante, inclusivo e sustentável. Só no setor da energia, o aumento do investimento verde para os níveis considerados necessários poderia criar cerca de 1,1 milhão de empregos em toda a Europa até 2030", calcula a economista francesa.

Governos têm de convencer e elevar níveis de confiança da população

Os governos europeus têm de ser mais ativos a tomar medidas que convençam os cidadãos de que as coisas estão a ser bem feitas e de forma "adequada" para sair da pandemia e devolver mais vitalidade à economia.

Pessoas mais confiantes no trabalho que o governo está a desenvolver são pessoas que tendem a ter "menos precaução", menos medo em relação ao futuro, e tendem assim a consumir mais, o que puxa pela economia, defendeu também a chefe do BCE.

"A combinação geral de políticas, entretanto, continua a ser essencial. Enquanto a pandemia persistir - e os bloqueios e o aumento da incerteza continuarem - as empresas e as famílias só poderão tirar o máximo proveito das condições de financiamento favoráveis ​​se as medidas de política nacionais forem implementadas para ajudar a política monetária a desenvolver todo o seu potencial."

Assim, continuou Lagarde, se os governos continuarem como devem a "proteger as empresas e os setores mais expostos à crise, a política orçamental pode ajudar clarificar as perspetivas económicas de empresas e famílias, fortalecendo, assim, a transmissão da política monetária".

O inquérito do BCE sobre as expectativas dos consumidores mostra isso mesmo: "as pessoas que consideram o apoio do governo mais adequado exibem um comportamento menos cauteloso".

"Essas pessoas, por sua vez, têm maior probabilidade de responder a condições de financiamento favoráveis ​​e a aumentar o seu consumo", referiu a banqueira central no debate parlamentar.

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