Lagarde admite que FMI errou nas críticas à austeridade do governo britânico

Christine Lagarde, diretora do FMI
Christine Lagarde, diretora do FMI

O Fundo Monetário Internacional subestimou a força da economia britânica quando alertou para o programa de austeridade do governo, admitiu a diretora executiva do organismo, Christine Lagarde.

“Errámos” e “reconhecemo-lo”, disse ontem Lagarde no programa da BBC Andrew Marr Show. “Claramente, o aumento da confiança originado pelas políticas económicas adotadas pelo governo surpreendeu muitos de nós”, acrescentou.

Leia também: Lagarde defende “estrutura institucional” que preserve estabilidade dos preços

De facto, um ano depois de o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, ter dito que a austeridade aplicada no Reino Unido era “brincar com o fogo”, o credor internacional já veio dizer, em abril passado, que a economia britânica deverá crescer 2,9% este ano. A confirmar-se será o ritmo de crescimento mais acelerado entre os países do G7.

Durante o programa, Lagarde reforçou que a perspetiva para a economia britânica é de que o crescimento seja sustentável, com o investimento a crescer ao lado do consumo interno.No entanto, sublinhou, a força do mercado imobiliário mantém-se uma ameaça.

A diretora do FMI aproveitou também o momento para se distanciar da Comissão Europeia, que apelou a um aumento de impostos no Reino Unido. O FMI “não vê um aumento massivo de impostos como algo recomendável”, disse.

Questionada sobre a hipótese de vir a suceder a Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia, Lagarde reiterou aquilo que já havia dito no final da semana passada, em Londres. “Tenho um emprego” e “não sou candidata a nenhum um outro cargo”, garantiu.

Os chefes de Estado e de Governo dos países da União Europeia deverão propor um nome para candidato a presidente da Comissão na cimeira marcada para 26 e 27 de julho, em Bruxelas.

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