Leão. Governo quer ser mais seletivo nas moratórias às empresas no segundo semestre

Desmame tem de continuar. Ministro explica em entrevista a Antena 1/ Negócios que "estamos a avaliar se devemos estender as moratórias ou não". Segundo semestre vai ser melhor, pode haver empresas e setores para os quais já não se justifica. Governo pondera estender moratórias, mas vai ser mais seletivo.

A moldura das moratórias bancárias para as empresas terem um alívio nos custos de endividamento deve mudar substancialmente no segundo semestre deste ano, disse o ministro das Finanças em entrevista à Antena 1/Jornal de Negócios.

Só as empresas de setores em grande aperto devem continuar a poder diferir esses custos. As outras, espera-se, não devem necessitar porque a retoma na segunda parte do ano vai ser "bastante robusta", referiu João Leão. O final do regime geral das moratórias está previsto para setembro.

Na entrevista, o ministro disse que é importante "dar confiança às empresas" e que portanto "enquanto houver pandemia e a atividade económica estiver condicionada, os apoios mantêm-se, custe o que custar". "É crítico dar essa garantia, estes apoios vão manter-se enquanto for necessário."

No entanto, terá de haver mudanças nas moratórias, que atualmente muitos temem venham a ser uma bomba ao retardador para o sistema bancário e o país como um todo.

Segundo João Leão, "Portugal tem neste momento uma moratória geral até setembro, até fomos um dos países mais flexíveis" nesta ótica.

Porém, "a moratória legal que o Governo aprovou abrange todos os setores". "A partir de março, as empresas estão vinculadas a começar a suportar os juros, exceto nos setores mais atingidos", referiu o ministro.

Mas o desmame tem de continuar. Por isso, o ministro explicou na entrevista que "em função da evolução da pandemia, estamos a avaliar até que ponto é que se deve estender as moratórias ou não".

"Estamos na fase de avaliação e discussão" para perceber como ser seletivos quanto a moratórias, tendo em conta que o segundo semestre de 2021 deve ser "muito melhor" e o crescimento "muito robusto".

A ideia é continuar apoios, nomeadamente no âmbito do programa Apoiar, mas por outro lado, as moratórias, se forem estendidas além de setembro, devem ser direcionadas apenas a setores específicos, os que estiverem em situação mais crítica.

Crescimento revisto em baixa, mais dinheiro para a TAP, Novo Banco em aberto

Quanto aos grandes números que podem marcar este ano de 2021, João Leão levantou o véu em vários.

A previsão de crescimento deste ano, que será divulgada em abril no Programa de Estabilidade, deverá ser revista em baixa face ao que está no OE2021.

"A nossa estimativa não se afasta muito daquilo que a Comissão está a prever." Ou seja, o ritmo da retoma cai de 5,4% (OE) para próximo de 4,1% (Comissão Europeia, na semana passada).

João Leão também revelou que espera transferir menos do que 480 milhões para o Novo Banco por conta dos maus resultados que se perfilam para 2020, no âmbito do contrato com o fundo Lone Star.

Recorde-se que a oposição chumbou a dotação de despesa que devia estar no OE2021 para proceder a mais essa injeção de dinheiro no banco que guarda dos restos do antigo BES.

O governo queria orçamentar 476 milhões de euros no OE, mas foi impedido. Ainda não se sabe como é que poderá contornar este impedimento. O governo já disse que tudo fará para cumprir o contrato que assinou e meter o dinheiro no NB.

Já em relação à TAP, João Leão reiterou o que tem afirmado nos últimos meses. a companhia agora nacionalizada vai precisar mais do que os 500 milhões de euros orçamentados, mas o ministro afirma que ainda não será necessário um orçamento retificativo

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