Londres prepara subida de imposto sobre lucro das empresas em até seis pontos percentuais

Medida segue a iniciativa da Administração Biden, nos EUA, e será a resposta do governo britânico à necessidade de prolongar apoios ao emprego.

O governo britânico deverá na próxima semana, quarta-feira, anunciar uma subida da taxa nominal de imposto sobre o lucro das empresas em até seis pontos percentuais na proposta de Orçamento do Reino Unido para o ano financeiro de 2021, que arranca a 1 de abril, avança a imprensa britânica.

A opção deverá apoiar o prolongamento das ajudas à manutenção do emprego, com a medida similar ao lay-off português em vigor até ao final de abril, e com cerca de cinco milhões de trabalhadores ainda abrangidos durante o último mês de janeiro.

A informação sobre a subida da taxa aplicada aos lucros das empresas - atualmente, de 19% - foi avançada pelo jornal Sunday Times no passado domingo, com a publicação a citar fontes segundo as quais a subida não iria além dos 23%. Já o económico Financial Times, nesta quinta-feira, refere a possibilidade de uma subida aos 25%.

Segundo o jornal, a opção do Chancellor britânico, o ministro das Finanças, será em parte justificada pelo governo conservador de Boris Johnson com o exemplo da recém-inaugurada Administração dos Estados Unidos, onde o Presidente Joe Biden anunciou também a intenção de subir os impostos às empresas. A secretária norte-americana do Tesouro e antiga presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, propõe uma subida de 21% para 28%.

No caso do Reino Unido, o chancellor Rishi Sunak estará a considerar o limiar de 25% como aquele que permitirá ainda manter a competitividade das empresas britânicas, embora haja expectativa de que o aumento não vá além dos 23%.

Nas empresas, a potencial subida não está a causar alarme, segundo o Financial Times, que cita um antigo presidente da principal organização empresarial britânica, Michael Heseltine, segundo o qual a subida de impostos para as empresas será a resposta menos má para a situação das contas públicas britânicas. Em janeiro, mês tradicionalmente de maior afluxo de receita, o sector público registou o seu primeiro défice numa década, e o nível de endividamento público está agora próximo dos 98% do PIB.

O jornal cita também vozes da comunidade empresarial, não identificadas, que entendem que a medida será das mais consensuais que o governo poderá adotar. "Pelo menos, com um imposto sobre lucros, a questão é haver lucros para taxar", refere.

Contudo, há ainda preocupações com uma eventual perda de competitividade na frente externa. Fontes do governo britânico ouvidas pelo Financial Times argumentam porém que, mesmo com uma subida aos 25%, a taxa sobre o lucro das empresas manter-se-á como uma das mais baixas entre as sete maiores economias do mundo.

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