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Luís Onofre vai liderar a associação do calçado até 2023

Luís Onofre, presidente da APICCAPS. Fotografia: DR
Luís Onofre, presidente da APICCAPS. Fotografia: DR

O empresário de Oliveira de Azeméis foi reeleito para um segundo mandato. A tomada de posse será, ainda, este mês

Luís Onofre foi esta segunda-feira reeleito presidente da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, para um mandato de três anos. O empresário de Oliveira de Azeméis assume que o desenvolvimento de novos modelos de negócio, com uma aposta muito forte na digitalização e um reforço da penetração no comércio online, será uma das grandes prioridades do novo mandato, a par da atração de uma nova geração de talentos.

Uma eleição que ocorre num “momento excecional”, em que, apesar de estar, ainda, por apurar, com rigor, o impacto da pandemia na economia mundial e nas empresas, ninguém tem dúvidas que, pela frente, está “um grande desafio”. Luís Onofre reconhece que a “preocupação é geral”, mas que a solução terá sempre de passar pela “recuperação da confiança e pelo restabelecimento do consumo”, sem os quais a penalização das empresas se estenderá no tempo.

Com o tema da reindustrialização de volta à agenda europeia, o industrial considera que o importante é que “Portugal crie condições para se afirmar, em definitivo, como líder no desenvolvimento de soluções integradas para o cluster do calçado”. E especifica: “Importa, cada vez mais, que a indústria do calçado tenha conjunto de modelos complementares que permitam que o setor seja uma referência na resposta integrada fileira, com uma grande aposta na digitalização e com um reforço da penetração no comércio online”.

O que, por sua vez, leva à questão da atração de jovens ao calçado, uma prioridade que vem já do primeiro mandato e que se estenderá pelo próximo. “Este será sempre um projeto inacabado. A renovação geracional era uma preocupação há três anos e sê-lo-á, seguramente, daqui por três ou seis anos anos, independentemente de quem seja o presidente da APICCAPS”, frisa.

E a dinâmica da própria indústria ajuda a essa renovação geracional. “A dinâmica é hoje consideravelmente diferente. Há um conjunto de novos modelos de negócio, que exigem uma resposta mais integrada do setor, e que faz com que sejam necessárias contratações com novas competências, seja no marketing, na área comercial, na logística ou promoção das marcas, sem esquecer gestão das próprias empresas e, claro, a produção”, diz Onofre, que sublinha: Portugal quer continuar a afirma-se como país de referência no panorama internacional e necessitará sempre de profissionais altamente qualificados”.

Constituída por 1 762 empresas, responsáveis por 44 161 postos de trabalho (dados do Ministério do Trabalho), a fileira do calçado e artigos de pele exporta mais de 90% da sua produção, o equivalente 2.044 milhões de euros no final de 2019. Na última década, as exportações da fileira do calçado e artigos de pele aumentaram 55%.

Os cenários atuais são menos otimistas, uma vez que se estima que o consumo mundial de calçado possa cair 22,5% este ano. Se considerarmos, apenas a indústria do calçado, as exportações foram de 1.791 milhões de euros, em 2019, o que representa uma quebra de 5,7% face ao ano anterior. Nos primeiros dois meses de 2020 ainda cresceram, mas a pandemia de covid-19 veio estragar o trabalhar entretanto desenvolvido. Nos primeiros cinco meses do ano, setor exportou 554,6 milhões de euros, uma quebra de 20,6% face ao período homólogo, mas, mesmo assim, melhor do que a performance exclusiva dos meses de abril e maio em que as quebras homólogas foram de 52,1% e de 20,6%, respetivamente.

Empresário de terceira geração, Luís Onofre é, também, presidente da Confederação Europeia da Indústria de Calçado (CEC), que, como o nome indica, representa o universo global do calçado na Europa: 21 mil empresas e mais de 278 mil postos de trabalho.

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