Metalurgia

Luso-descendentes da Venezuela aliviam falta de mão-de-obra na metalurgia

A metalurgia e metalomecânica abrangre desde agulhas a grandes estruturas metálicas. Fotografia: Hannibal Hanschke / Reuters
A metalurgia e metalomecânica abrangre desde agulhas a grandes estruturas metálicas. Fotografia: Hannibal Hanschke / Reuters

Crescimento do campeão nacional das exportações continua ameaçado por falta de quadros. Apesar disso, vendas para o exterior cresceram 11,3% em 2018, atingindo a melhor marca de sempre

A crónica falta de mão-de-obra na indústria metalúrgica e metalomecânica continua a ser um problema, apesar de o número total de trabalhadores em falta até ter diminuído. Mas isso não é, necessariamente, um bom sinal, já que, em alguns casos, a incapacidade de contratar levou à perda das encomendas, E, agora, esses quadros já não são necessários. A AIMMAP, a associação do sector, admite que faltam 25 mil profissionais e acredita que o caminho da transformação digital das empresas vai ajudar a minimizar o problema.

“É fundamental que as empresas continuem o processo de aposta em inovação e digitalização, porque, não só isso as torna mais ágeis, como permite acrescentar valor ao processo produtivo, mas, também, ajuda na transformação dos recursos humanos, libertando-os de tarefas repetitivas que podem ser assumidas pelas máquinas e criando novos postos de trabalho com maior densidade tecnológica, que sejam mais estimulantes e mais bem pagos”, defende o vice-presidente executivo da associação. Por outro lado, diz Rafael Campos Pereira, há empresas que estão a conseguir contratar trabalhadores imigrantes, brasileiros e luso-descendentes oriundos da Venezuela, o que ajudou a aliviar, um pouco, a situação. “Mas todas as empresas nos continuam a dizer que precisam de mão-de-obra. Chegamos a estimar a falta em 28 mil quadros, a última atualização que fizemos aponta para 25 mil”, acrescenta. O alívio na procura prende-se com o aumento dos salários, mas, também, admite, com a existência de, alguns casos, em que, “sem capacidade de resposta para fazer face às procura dos clientes, as empresas não os conseguiram fidelizar”. E até o próprio CENFIM, o centro de formação protocolar da metalurgia e metalomecânica, está sem formadores. “Com a falta de mão-de-obra, as empresas acabaram por desfalcar o próprio CENFIM. Houve dezenas de formadores seduzidos”, adianta Rafael Campos Pereira.

Ano recorde de exportações

Do lado da procura, o sector permanece como o campeão das exportações nacionais, responsável por cerca de 18% do PIB. Em 2018, as exportações do Metal Portugal ascenderam a 18.334 milhões de euros, mais 11,3% do que no ano anterior, ou seja, novo máximo histórico de vendas ao exterior. O “elevado crescimento”, a dois dígitos, dos três maiores mercados da metalurgia e metalomecânica nacionais – Espanha, Alemanha e França – foram determinantes para esta performance. E o próprio Reino Unido continuou a evoluir positivamente, apesar da instabilidade do brexit. “Apesar de toda a incerteza conseguimos crescer 4,1% no Reino Unido”, destaca Rafael Campos Pereira. Também a performance nos EUA merece nota. “Não obstante as dificuldades e restrições introduzidas pela administração norte-americana e a instabilidade gerada pela guerra comercial com a China, conseguimos resistir”, frisa.

“Extraordinário” foi o crescimento no mercado italiano, acima dos 70%, o que elevou a Itália a quinto maior destino das exportações nacionais de metal. Tradicionalmente, este era um país que ocupava o oitavo ou nono lugar, atrás da China e de Angola. A explicação para este crescimento excecional, e que foi “transversal” a todos os subsetores da metalurgia e metalomecânica, poderá estar, admite o vice-presidente da AIMMAP, “nalguma desindustrialização das empresas italianas e da sua aposta alternativa nos componentes, artigos metálicos, peças técnicas e máquinas nacionais.

Para 2019, a aposta da associação é, precisamente, no reforço do processo de transformação digital das empresas e da sua vertente exportadora, dispondo, para isso, de um projeto de apoio à internacionalização no valor de dois milhões de euros que pretende apoiar a presença de cerca de 200 empresas em aproximadamente 20 feiras internacionais. Sobre os investimentos já realizados, Rafael Campos Pereira admite que é difícil apresentar números concretos, mas assume que “a generalidade das empresas investem já entre 5 a 10% da sua faturação” em inovação, grande parte dela direcionada para a digitalização e para a cibersegurança. “Estamos a falar de um sector com um volume de negócios anual de 30 mil milhões de euros. Claro que a realidade não é a mesma em todas o que complica as contas, mas certamente que muitas centenas de milhões de euros estão a ser aplicados anualmente nesta agenda da transformação digital”, frisa.

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