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Luta pelos cargos de topo do BCE aquece. Espanha favorita no primeiro round

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Espanha e Irlanda lutam pelo lugar de Vítor Constâncio no BCE. Mas o grande prémio acontecerá em 2019, quando se escolher o sucessor de Draghi

O tiro de partida para a corrida pelas posições de topo do Banco Central Europeu (BCE) foi dado pelos pretendentes ao lugar de Vítor Constâncio. Será a primeira de muitas alterações na cúpula do banco central responsável por manter o rumo da economia da zona euro, incluindo a sucessão de Mario Draghi, que termina o mandato em outubro do próximo ano. Até final de 2019, quatro dos seis membro da comissão executiva do BCE serão substituídos.

Luis de Guindos, ministro da Economia espanhol, e Philip Lane, governador do banco central irlandês, são os candidatos à vice-presidência do BCE. O concorrente espanhol é apontado como o favorito a suceder a Vítor Constâncio, apesar de nesta semana o Parlamento Europeu ter favorecido o responsável irlandês. “Ambos os candidatos fizeram boas apresentações. A maioria dos grupos políticos considerou Lane mais convincente. Alguns grupos expressaram reservas sobre a escolha de Guindos.” O Parlamento Europeu aproveitou para reiterar que era necessário haver mais mulheres no BCE. Atualmente apenas existe uma na comissão executiva, a alemã Sabine Lautenschläger.

BCE

Mas o parecer dos eurodeputados não é vinculativo. No passado já houve candidatos que conseguiram cargos de topo no BCE apesar do “chumbo” do Parlamento. A decisão final é tomada pelo Eurogrupo, que indica o candidato ideal a ser aprovado pelo Conselho Europeu.

Segundo alguns observadores, De Guindos tem um maior apoio entre os países da zona euro. O ministro espanhol ainda chegou a ser falado para presidente do Eurogrupo, mas Madrid acabaria por apoiar a candidatura de Centeno. Agora é a vez de Portugal retribuir o apoio. Os ministros das Finanças da zona euro deverão decidir na reunião desta segunda-feira. E, segundo a imprensa espanhola, têm existido pressões para que Lane desista da corrida.

“Como ministro que supervisionou o resgate e a reforma do setor financeiro espanhol, Luis de Guindos pode reclamar algum conhecimento em relação à estabilidade financeira, um dos elementos no caderno de encargos de Vítor Constâncio”, referem os economistas do RBC Capital Markets, num relatório a que o Dinheiro Vivo teve acesso. Isto apesar de realçarem que de Guindos não tem experiência em bancos centrais.

No entanto, a Espanha saiu a perder quando na ronda de nomeações de 2012 se quebrou um dos acordos tácitos entre os países mais poderosos do bloco. Foi a primeira vez que uma das quatro maiores economias do euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) deixou de ter representantes na comissão executiva do banco central.

E depois de Draghi?

A luta pela vice-presidência do BCE é um aperitivo do que está para vir. O grande prémio será a sucessão de Mario Draghi. “Nesta fase, na posição da frente está Jens Weidmann, o líder do alemão Bundesbank”, defendem os economistas do RBC Capital Markets. Acrescentam que “se a experiência e a capacidade fossem os únicos critérios para o cargo, Weidmann seria a escolha óbvia”.

Mas isso poderá não ser consensual. O alemão fez algumas críticas às medidas não convencionais tomadas por Mario Draghi e é visto como um defensor de políticas mais restritivas. “É uma questão em aberto se haveria apoio suficiente para um ‘falcão’ [defensor de políticas mais restritivas] alemão por parte dos governos da zona euro numa altura em que o BCE está prestes a entrar no ciclo de subida de juros.”

Assim, diz o RBC Capital Markets, poderão surgir planos B. Entre potenciais sucessores de Draghi, realçam o finlandês Erkki Liikanen e não descartam uma espécie de regresso de Philip Lane para disputar o cargo mais influente da economia europeia.

Como são escolhidos os cargos de topo?

 

O Banco Central Europeu (BCE) tem uma comissão executiva composta por presidente, vice-presidente e outros quatro membros. Cada um fica responsável por áreas de atuação específicas do banco central. Vítor Constâncio, por exemplo, tem a área da supervisão. Têm lugar cativo no conselho de governadores, mantendo a maior influência nas decisões de política monetária. Tradicionalmente, quatro dos seis cargos são para as maiores economias da zona euro.

Os governos dos diversos países da zona euro podem apresentar candidatos à comissão executiva do BCE que serão avaliados pelo Eurogrupo. Este órgão, no qual têm assento os ministro das Finanças do euro, indica ao Conselho Europeu qual o seu candidato favorito para que este dê a palavra final. O Parlamento Europeu também é consultado no processo mas as suas decisões não são vinculativas.

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