Luxemburgo, Holanda, Brasil e Angola drenam investimentos na pandemia

Quebra do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no primeiro semestre suavizada pelo reforço de investidores de Espanha, Alemanha e França.

Luxemburgo, Holanda, Brasil e Angola reduziram de forma significativa as suas posições (stocks) de investimento direto estrangeiro (IDE) de Portugal no primeiro semestre deste ano face ao final de 2019, indicam cálculos do Dinheiro Vivo (DV) a partir das estatísticas ontem divulgadas pelo Banco de Portugal.

A drenagem de IDE só não foi maior porque Espanha e Alemanha reforçaram as suas posições de investimento (stocks) na economia portuguesa.

De acordo com esses dados, os investidores sediados no Luxemburgo retiraram de Portugal 1.115 milhões de euros no primeiro semestre do ano, período amplamente marcado pela pandemia (declarada em março).

Segundo apurou o DV, muito deste movimento pode estar relacionado com fundos e sociedades presentes em Portugal (marcas portuguesas) que declaram rendimentos no Luxemburgo por este ser um território muito mais liberal e atrativo do ponto de vista fiscal. Podemos estar a falar de vendas de posições acionistas, de ativos imobiliários, de repatriamento de lucros. O Banco de Portugal não especifica.

Em segundo lugar aparece a Holanda (onde, uma vez mais, se encontram sediados grandes grupos portugueses, da grande distribuição retalhista à banca, por exemplo). As sociedades parqueadas nos Países Baixos drenaram quase 600 milhões de euros entre janeiro e junho.

O Brasil aparece em terceiro lugar. Os investidores diretos estabelecidos no Brasil extraíram 500 milhões de euros da economia portuguesa. Logo a seguir, surgem os angolanos, que drenaram mais de 200 milhões de euros.

No total, o stock de IDE em Portugal caiu 624 milhões de euros. A quebra de investimento foi suavizada pelo reforço significativo de Espanha (mais 830 milhões de euros no primeiro semestre face ao final do ano passado). Os investidores alemães meteram mais 291 milhões de euros, os franceses mais 268 milhões de euros.

Os dados do banco central mostram que, por setor de atividade, o maior desgaste no IDE acontece nas atividades financeiras (banca e seguros) e no imobiliário.

Em todo o caso, a AICEP, a agência que promove o comércio externo e as oportunidades de investimento em Portugal, continua relativamente otimista, tendo em conta o contexto económico muito grave mundial por causa da covid.

Por exemplo, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) prevê que o investimento direto estrangeiro (consolidado, global) possa cair 40% em 2020, atingindo assim mínimo de 15 anos ou mais (desde 2005.

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo (AICEP), Luís Castro Henriques, continua a anunciar projetos que tentam ir contra esta vaga depressiva no investimento global. Referiu que a AICEP angariou sete novos investimentos para Portugal, todos na área dos serviços, dois dos quais “em plena pandemia”.

Segundo o líder da agência são "sete novos clientes que o país não tinha”. No rol estão duas empresas dos Estados Unidos e o resto são investidores do centro da Europa: "Alemanha, França e Suíça”. “Quando as empresas quiserem anunciar os seus investimentos, até para efeitos de recrutamento, nós poderemos dizer quem são especificamente”, acrescentou Castro Henriques.

No chamado ‘pipeline’ da AICEP, isto é, na lista de intenções de investimento estrangeiro já manifestadas junto da agência, o valor deve rondar os mil milhões de euros, referiu ainda.

Segundo os dados oficiais, em 2018, o IDE novo que entrou em Portugal ascendeu a 5,7 mil milhões de euros. Em 2019, o volume voltou a subir de forma significativa, para 7,4 mil milhões de euros.

Em 2019, mais de 61% (cerca de 4,5 mil milhões) do IDE foi efetivamente reforço na participação no capital de empresas em Portugal. O resto (2,8 mil milhões de euros) foi assunção de dividas, empréstimos concedidos (instrumentos de dívida), mostram a AICEP e o Banco de Portugal.

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