ADSE

Luz segue CUF: acabou-se o acordo com a ADSE

Isabel Vaz, presidente da Luz Saúde. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
Isabel Vaz, presidente da Luz Saúde. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Grupo liderado por Isabel Vaz pôs fim ao acordo, com efeitos a 15 de abril, conforme comunicou aos colaboradores

Ontem à noite foi a José de Mello Saúde, nem 24 horas depois é a vez de a Luz Saúde rasgar o acordo com a ADSE. Neste caso, de forma definitiva.

“Apesar de todos os nossos esforços no sentido de o evitar, informamos que os Hospitais e Clínicas da Rede Hospital da Luz se veem obrigados, a partir de 15 de abril, a deixar de prestar os serviços ao abrigo das convenções celebradas com a ADSE”, informou a comissão executiva liderada por Isabel Vaz, em carta dirigida aos colaboradores do grupo, a que o Dinheiro Vivo teve acesso. Num momento em que os seus “valores são desafiados”, diz a administração, “mostramos a força do nosso caráter, a coragem de não escolher o caminho mais fácil”.

Recordando que as tabelas de preços da ADSE não são atualizadas há mais de 20 anos e na lógica de proteção da “melhor defesa dos interesses dos beneficiários”, os responsáveis do operador privado sublinham, na mensagem interna, que empreenderam todos os esforços no sentido de encontrar, junto do Estado, “um acordo equilibrado para as partes no contexto da negociação de uma tabela que se encontra desatualizada para a prática de uma medicina moderna, quer no que respeita à inexistência de atos médicos que fazem parte da rotina médica atual”. A comissão executiva lembra ainda que tentou encontrar alternativas à aplicação retroativa de regras de regularização de faturação, que considera “manifestamente ilegais e que introduzem uma imprevisibilidade na atividade que é impossível aceitar, já que implicam que no momento da prestação não seja possível saber a que preços estamos a praticar o serviço”.

Leia aqui sobre a suspensão da CUF

A comissão executiva, que assina a carta, faz questão de explicar aos seus colaboradores as razões de uma decisão que afeta diretamente “a vida de mais de 250 mil clientes” da ADSE que têm optado por receber cuidados de saúde nos Hospitais da Luz. “O futuro dar-nos-á razão e estamos seguros de que os beneficiários da ADSE saberão julgar quem sempre esteve do seu lado”, remata a administração do grupo, que conta com “14 hospitais, 13 clínicas ambulatórias de proximidade e um centro clínico digital”.

Os termos da comunicação interna praticamente não diferem dos motivos que ontem foram usados pela José de Mello Saúde na carta aos colaboradores em que se explica porque se chegou ao fim da linha. Mas é mais definitiva: enquanto o grupo liderado por Salvador de Mello suspendeu o acordo e admite que a decisão pode tornar-se definitiva se nada mudar no próximo mês, nos hospitais geridos por Isabel Vaz a decisão é final. Uma decisão que afeta uma fatia considerável dos 1,2 milhões de funcionários públicos e pensionistas do Estado que descontam para este subsistema.

Mais de 1 milhão de beneficiários afetados. Leia aqui

A direção da ADSE, liderada por João Proença (ex-UGT), que na semana passada desvalorizou a ameaça de saída dos privados, está neste momento reunida.

Novas marcações já fora do acordo

Na comunicação interna, a Luz Saúde explica que as marcações feitas depois de 15 de abril já não estarão contempladas pelo regime convencionado, pelo que poderão ser feitas, mas mediante pagamento e reembolso. Salvaguarda porém que continuarão a ser prestados ao abrigo do regime convencionado, “desde que iniciados antes do dia 15 de abril, o acompanhamento às grávidas até à alta após o parto; os tratamentos relacionados com doença oncológica; os cuidados de saúde de internamento”, assim como todas as marcações feitas até hoje, mesmo que se realizem depois de 15 de abril.

Para os beneficiários da ADSE que queiram manter os serviços do Hospital da Luz, o grupo explica que criou “condições especiais de preços e financiamento, cujos detalhes” explica no site. E pede aos colaboradores que os aconselhem a “informar-se junto do seu subsistema de saúde das condições de reembolso aplicáveis”.

Os gestores do grupo Luz Saúde pedem ainda ajuda aos seus colaboradores para explicar aos seus clientes as razões de uma decisão que dizem “lamentar profundamente” e ter sido “forçados a tomar”. “A decisão é tomada com a absoluta convicção de que há momentos que definem o futuro e que esta posição é a que defende, no longo prazo, os interesses dos beneficiários da ADSE e de todos os que praticam uma medicina baseada no valor para os doentes, corretamente financiada e digna para os profissionais de saúde. Porque estes, e não outros, são os princípios da sustentabilidade de qualquer sistema de saúde, seja ele público ou privado”, especifica a Luz Saúde.

O que separa privados e ADSE? Leia aqui

Sublinhando os padrões de “exigência e qualidade” seguidos pelo grupo, assim como a necessidade de assegurar serviços em segurança, o grupo explica que “os termos em que a ADSE pretende aplicar as convenções” são incompatíveis com os padrões do grupo. E sublinha que continuará a defender os seus clientes, “unindo esforços para responder com elevação, segurança e serenidade, no momento que atravessamos na relação com a entidade que negoceia o financiamento de cuidados de saúde para os funcionários e reformados da Função Pública”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A Loja das Conservas tem um restaurante para promover o consumo deste produto. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Turistas fazem disparar vendas de conservas portuguesas

Miguel Gil Mata,  presidente executivo, da Sonae Capital, nos estúdios da TSF.
Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Sonae reduz portefólio Imobiliário e investe em Energia

Fotografia: DR

Elliott quer EDP nas renováveis. Mas tem forçado vendas nos EUA

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Luz segue CUF: acabou-se o acordo com a ADSE