CGD

Macedo: “Maiores entusiastas da comissão à CGD são concorrentes e ressabiados”

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. 
(Orlando Almeida / Global Imagens)
Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. (Orlando Almeida / Global Imagens)

Paulo Macedo apresentou esta quinta-feira os resultados da Caixa Geral de Depósitos no primeiro trimestre.

Aprender com os erros do passado e focar no negócio, no presente e no futuro, porque a concorrência está mais forte do que nunca. São estas as lições que Paulo Macedo tira da Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Até porque quem ganha com ela, sublinha, são os bancos concorrentes.

“Concorrentes, ressabiados e outros” são, na visão do presidente do banco público, os “maiores entusiastas” da comissão que está a rastrear os créditos ruinosos que a Caixa concedeu no passado. Macedo admite que o trabalho do parlamento tem provocado “danos de reputação” ao banco. E quem diz o contrário “não sabe o que está a dizer”. Paulo Macedo reconhece que por causa da comissão de inquérito existe a “possibilidade da perda de foco, tanto comercial como da gestão”.

“No espaço de um ano a Caixa tinha recuperado mais de dez pontos no índice de reputação, num mês perdeu dez pontos”, devido ao resultado das audições, referiu o presidente do banco público esta quinta-feira, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre.

Depois de começar por dizer que não ia comentar a comissão de inquérito, Macedo acabou por referir “três ou quatro pontos fundamentais” sobre os trabalhos.

“A CGD está hoje diferente do que eram aquelas práticas, a supervisão é outra, a regulação e as práticas de risco são outras, o tipo de alertas, o tipo de governance, está de certeza tudo muito diferente porque a banca está diferente e todo o escrutínio também”, reforçou, apesar de considerar que a preocupação da administração da Caixa “não pode ser o passado”.

O líder do banco público destacou ainda que hoje “as práticas de risco são muito distintas do que eram” e que a própria documentação é feita de maneira “mais exaustiva”.

O responsável acrescentou que, apesar da comissão de inquérito, o banco pediu uma “análise externa” exaustiva para saber se o tipo de práticas que deram origem aos créditos ruinosos já não existem no banco, e revelou que esse trabalho “está finalizado de forma positiva”.

Má gestão não avança até ao verão

Durante a sessão de perguntas e respostas que seguiu a apresentação dos resultados, Paulo Macedo revelou ainda que o banco contratou a firma de advogados Serra Lopes, Cortes Martins para assessorar a CGD no processo de análise de eventuais processos contra ex-gestores. Já era sabido que as firmas Linklaters e Vieira de Almeida também estão a trabalhar com o banco público neste processo. As três estão, de resto, a trabalhar em paralelo.

Quanto à data prevista para o apuramento de responsabilidades dos ex-gestores, Paulo Macedo mostrou-se cético quanto à brevidade do processo.

“Antes do verão não nos parece. O Ministério Público está com isto há dois anos e meio, o banco de Portugal está com isto há anos. Não é a Caixa, de certeza, que não é juiz nem tribunal, que vai fazer processos extremamente rápidos. À medida que tivermos evidências daremos sequência ao que tivermos de dar. Diria que a probabilidade de algum caso estar pronto antes das férias judiciais não é realista”.

A Caixa revelou hoje os resultados relativos aos primeiros três meses do ano. O banco público teve lucros de 126 milhões de euros, mais 85% face ao mesmo período do ano passado.

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