Madeira: Festa da Flor enche hotéis no Funchal e Porto Santo está esgotado para o verão

A Madeira espera superar já este ano os indicadores turísticos de 2019. A aposta em novas ligações aéreas, a diversificação de mercados e a abertura da base da Ryanair no Funchal e da easyJet em Porto Santo fazem antever um regresso em peso dos turistas à região.

As ruas do Funchal estão vestidas de flores por estes dias e até ao final do mês de maio. A cidade da ilha madeirense celebra não só a chegada da primavera mas também o regresso da habitual Festa da Flor ao calendário normal, depois de, nos últimos dois anos, ter sido empurrada para outubro pela pandemia. O evento é um isco para os turistas que já enchem os hotéis da região, com ocupações a ultrapassar os 90%.

"A economia regional depende em cerca de 26% do turismo. O setor está próximo dos 100% durante este mês e há uma contribuição direta para toda a economia regional. O impacto é o maior possível, não se pode querer mais do que isto. Mesmo a nível dos serviços, a procura acompanha a animação turística, os transfers e as excursões. A oferta está a ser toda ocupada pela procura, o que significa que atingimos um momento de pleno no setor", garante o secretário regional de Turismo e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus.

O evento serve de engrenagem a um ano que se espera de recuperação no turismo e que mostra já indicadores otimistas. A juntar a um primeiro trimestre de consolidação, seguiu-se uma Páscoa com níveis de procura superiores a 2019, adianta o governante que, assegura, "estão reunidas as condições para ultrapassar os limites superados anteriormente". Os sinais dos bons ventos para o turismo da Madeira já vêm de trás. No ano passado, a região registou o melhor mês de agosto de sempre, com 873,2 mil dormidas no total do alojamento turístico

A partir daí e até novembro, a procura esteve acima de 2019. A escalada de recuperação foi travada em dezembro pelo aumento de casos da variante Ómicron que atingiu o pico no último mês do ano. A partir de fevereiro o ritmo recomeçou. "As perspetivas para o verão são bastante animadoras, porque não só se repetem as operações que permitiram uma grande presença do mercado nacional na Madeira, como também temos mais operação internacional. Depois de toda a convulsão pandémica, as origens estão melhor preparadas, mais organizadas e prontas para retomar a atividade normal. Registámos um acréscimo dos mercados inglês, alemão e uma boa resposta do mercado francês", contextualiza o governante.

Ligações aéreas e novos mercados
A acessibilidade aérea e a diversificação de mercados é uma das respostas principais em ano de retoma. Uma das novidades é o voo direto que liga a Madeira aos Estados Unidos. A operação para Nova Iorque, que se iniciou em novembro, conta com duas ligações semanais e é realizada pela SATA. A aposta no mercado americano superou as expectativas e será prolongada até maio, estando previsto, inicialmente, terminar em março. Em outubro regressa.

Já para o verão IATA, o aeroporto do Funchal conta com a presença de 36 companhias aéreas que fazem a ligação a 53 aeroportos de origem, totalizando 96 rotas em 23 países. A estratégia passa pelo reforço dos principais mercados emissores, como a Inglaterra, a Alemanha ou a França mas, também, na diversificação da aposta com os mercados emergentes do Centro, Báltico e Leste da Europa. "Reforçámos a operação na Roménia há duas semanas e todas estas origens têm-nos permitido uma conquista do mercado diferente", assegura Eduardo Jesus, que explica que estes mercados pesaram 8% nas contas do turismo em 2021.

O conflito armado no leste europeu beliscou os planos para este verão mas, ainda assim, os países limítrofes acabam por compensar. "Neste momento, estamos naturalmente prejudicados com o lamentável conflito que decorre da invasão da Rússia à Ucrânia, que colocou duas operações neutralizadas - da Ucrânia e da Rússia - qualquer uma delas significava 14 mil lugares que tínhamos para a Madeira. No entanto, vimos reforçadas as operações da Polónia, da Roménia e de países à volta que nos compensam esse primeiro impacto", aponta.

Outro dos reforços de peso para a Madeira foi a instalação de uma base da Ryanair no Funchal que irá assegurar, nos próximos meses, 80 voos semanais em 10 rotas. Além de Lisboa e do Porto, a companhia aérea liga a Madeira a Dublin, Londres, Paris, Milão, Manchester, Bruxelas, Marselha, Lisboa, Porto e Nuremberga.

"A Ryanair serve a Madeira de uma forma bastante importante para nós. De um momento para o outro crescemos 22% em número de lugares da acessibilidade à Madeira. E permite-nos concretizar um objetivo que era perseguido há muito tempo: dispor de uma terceira companhia a voar de Lisboa e de uma quarta a voar do Porto", aplaude o secretário regional de Turismo.

Outro dos efeitos da estreia da low-cost na ilha foi a diminuição das tarifas por parte das companhias concorrentes, nomeadamente da TAP. "Isso foi determinante em termos competitivos, porque as tarifas dessas viagens alteraram radicalmente, tanto numa perspetiva do residente, mas também numa perspetiva de acessibilidade à Madeira. É melhor quando se gasta menos na viagem para se gastar mais no território e no destino e isso deixa mais à economia regional", aponta. Eduardo Jesus admite que a transportadora esteja a analisar a entrada também em Porto Santo, à semelhança da easyJet, que aterrou na ilha há uma semana. "Se existe tráfego, naturalmente que vão querer aproveitar".

Porto Santo esgotado para o verão
A Ilha Dourada de areia fina e água límpida é a estrela do verão no mercado nacional. A Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) tinha já confirmado ao Dinheiro Vivo que Porto Santo ocupa o primeiro lugar nas preferências dos portugueses para as férias de verão que estão à porta. Desde o início do ano que a procura disparou e a abertura de uma nova base da easyJet, na semana passada, ajudou a aguçar o apetite. "Porto Santo está, neste momento, todo vendido para o verão, até ao final do mês de setembro", confirma Eduardo Jesus.

A easyJet começou a voar para Porto Santo dia 1 de maio com dois voos semanais a partir do Porto. A partir de 2 de junho a operação estende-se a Lisboa.
Além dos portugueses, também os ingleses e alemães estão de olho no destino. Segundo o secretário regional, há hotéis que já suspenderam as vendas para os próximos meses. A elevada procura aliada a uma oferta limitada de 3100 camas na hotelaria e a 953 camas no Alojamento Local (AL) levaram o destino ao sold out.

"Através da "tour operação" conseguimos, logo à partida, repetir a tendência do ano passado. 2021 foi um dos melhores anos de sempre do Porto Santo. A acrescentar a isso, o aumento das acessibilidades e a entrada da easyJet permite consolidar essa evolução", justifica. Eduardo Jesus admite que a ilha não tem muita margem de crescimento na oferta hoteleira. O objetivo passa por esbater a sazonalidade e alargar a procura até outubro. Apesar da corrida ao destino para aquele que promete ser o primeiro verão normal depois da pandemia, os preços não dispararam e mantêm-se em linha com o ano passado, garante o governante que, explica, é preciso "manter um equilíbrio" para que o destino não perca competitividade face aos concorrentes, como são exemplo as Canárias ou as Caraíbas.


TAP aquém das expetativas
O secretário regional de Turismo e Cultura da Madeira lamenta o desinvestimento da transportadora de bandeira na Madeira nos últimos anos. Ainda assim, aplaude a ponte aérea entre a capital portuguesa e o Funchal. A companhia liderada por Christine Ormières-Widener opera sete ligações diárias entre as duas cidades, desde 28 de março.

"A TAP evoluiu, ultimamente, de forma favorável. A ponte aérea vai responder a um desejo da Madeira de muitos e muitos anos, o de que queríamos que a TAP nos servisse de forma diferente", refere. O governante assume que a TAP é líder na acessibilidade da Madeira a partir de Portugal continental, mas sublinha o abandono, por parte da companhia, das ligações internacionais.

"O voo de Londres direto para a Madeira começou a ser operado em 1975 e foi interrompido em 2015. Era bom refletir sobre esta matéria. Sendo ligações e rotas que foram rentáveis durante 40 anos, e que são rentáveis hoje para outras companhias, também o seriam para a TAP", exemplifica.

Eduardo Jesus aponta ainda os preços praticados pela transportadora no passado, situação que, refere, ficou mais equilibrada com a entrada da low-cost irlandesa no cenário. "Sentimos que depois da entrada da Ryanair nestas linhas nacionais de Lisboa e Porto o comportamento tarifário da TAP sofreu grandes alterações e foi ao encontro daquilo que os madeirenses e porto-santenses há muito reclamavam. Durante anos estivemos sujeitos a preços completamente inaceitáveis no que diz respeito à acessibilidade à Madeira. Não só para os que residem, mas colocando também em causa operações turísticas que dependem da ligação", relembra.

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