ESM

Maior credor de Portugal teme problemas no pagamento da dívida no longo prazo

Euclid Tsakalotos, ministro das Finanças da Grécia, Mário Centeno, de Portugal, e Klaus Regling, chefe do ESM. Fotografia: EPA/OLIVIER HOSLET
Euclid Tsakalotos, ministro das Finanças da Grécia, Mário Centeno, de Portugal, e Klaus Regling, chefe do ESM. Fotografia: EPA/OLIVIER HOSLET

"Pagamentos estão a aumentar. No caso de Portugal são mais quase 500 milhões de euros. Portanto, os valores não são insignificantes", avisa Regling.

O maior credor de Portugal, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE ou ESM na sigla em inglês) diz que “não está preocupado com a capacidade de pagamento” da dívida por parte de Portugal mas essencialmente no curto prazo.

Isto porque as perspetivas de longo prazo parecem ser bem mais incertas: há riscos externos relevantes, assim como riscos internos, que podem complicar as tarefas do país, avisou o chefe da instituição, Klaus Regling, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Eurogrupo, esta segunda-feira. Mesmo ao seu lado estava Mário Centeno, o presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças de Portugal.

No caso de Irlanda e Portugal, “a boa notícia é que não estamos preocupados com a capacidade de pagamento no curto prazo ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira [que hoje se chama ESM]”.

“Isto é importante porque os pagamentos estão a aumentar — no caso da Irlanda são mais de 300 milhões de euros e no caso de Portugal quase 500 milhões de euros. Portanto, os valores não são insignificantes, mas não estamos preocupados”, começou por dizer Regling.

Pagar mais de 27 mil milhões de euros até 2040

Mas, no total, Portugal deve mais de 27 mil milhões de euros ao ESM, o fundo da zona euro que emprestou dinheiro ao país no âmbito do resgate de 2011.

De acordo com o atual calendário oficial disponibilizado pelo IGCP, Portugal começa a pagar o que deve ao mecanismo em 2025 e só salda a dívida toda em 2040.

Por isso, Klaus Regling sublinhou que “ao mesmo tempo, porque somos um credor de longo prazo e somos o maior credor desses países, também devemos ter uma visão de longo prazo sobre o potencial de crescimento, os riscos e a sustentabilidade da dívida. Isso é importante porque o reembolso ocorre nos próximos 20 anos e nós vamos monitorizar as economias até que tudo seja pago”.

Mário Centeno tem dito que os maiores riscos para a economia vêm de fora: têm a ver com questões políticas (como o caso do brexit ou o solavanco no orçamento de Itália) e com os efeitos depressores das guerras comerciais.

Regling considera que não é só isso que ameaça as economias. No caso de Portugal diz mesmo que há riscos internos: os salários podem estar a subir demasiado.

“No que diz respeito a Portugal, partilho da opinião já expressa de que a evolução económica e orçamental tem sido muito boa nos últimos anos, mas é claro que também existem riscos. Olhando para o longo prazo, os riscos vêm do lado externo, mas também vêm do lado interno. É importante que os aumentos salariais sejam apoiados por ganhos de produtividade, a fim de manter a competitividade”, atirou o chefe do maior credor da República.

Na mesma conferência de imprensa do Eurogrupo, Centeno disse apenas que, no caso de Portugal, “vemos um bom desempenho económico e orçamental” e que “as reformas atuais precisam de continuar para reduzir ainda mais a dívida pública e aumentar o potencial de crescimento”.

A dívida ao ESM (antigo EFSF) a azul mais escuro. Fonte: IGCP

A dívida ao ESM (antigo EFSF) a azul mais escuro. Fonte: IGCP

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Miguel Gil Mata,  presidente executivo, da Sonae Capital, nos estúdios da TSF.
Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Sonae reduz portefólio Imobiliário e investe em Energia

Fotografia: DR

Elliott quer EDP nas renováveis. Mas tem forçado vendas nos EUA

. Peruvian Presidency/Handout via REUTERS

Peru, um milagre económico à espera de ser descoberto

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Maior credor de Portugal teme problemas no pagamento da dívida no longo prazo