Turismo

Maior operador dos Açores pisca o olho ao continente com pacote para as ilhas

Luís Nunes, CEO da Azores Getaways
 (Diana Quintela / Global Imagens)
Luís Nunes, CEO da Azores Getaways (Diana Quintela / Global Imagens)

Azores Getaways quer replicar a solução que tem no arquipélago para o país. Portugal Getaways é caminho para crescer.

O turismo nos Açores está a crescer agora também com a expansão do alojamento local e uma maior oferta de voos, ainda que as paisagens e as experiências únicas sejam o que leva cada vez mais turistas à região. E a Azores Getaways, maior operador turístico açoriano no continente, está atenta às oportunidades. Permitindo a reserva online de pacotes turísticos, aposta agora, além do mercado da América do Norte, em cativar turistas portugueses do continente e para isso criou um pacote turístico para todo o arquipélago que permite viajar pelas nove ilhas com voos de ida e volta, ligações interilhas (avião e barco) e alojamento (exceto no Corvo).

Luís Nunes criou a empresa em 2011, no que descreve como uma teimosia, quando acabou o curso de Engenharia Informática e voltou à terra. Porque as opções para um engenheiro não eram muitas, decidiu arriscar e tirar partido dos seus conhecimentos para criar a Azores Gateways. Em 2013, faturou 250 mil euros, subindo o volume de negócios para 11 milhões em 2018, quando reformulou o modelo de negócio. “Só começámos a vender pacotes com voo no final de 2013 e em 2014 já faturámos 2,2 milhões, continuando a crescer a ritmo acelerado.” Até decidir arriscar mais e alterar o perfil da empresa.

As alterações passaram por mudar a agulha: no arranque, o foco estava numa venda agressiva de pacotes de voo e hotel para as ilhas açorianas a preços baixos, o que criava volume mas uma margem de retorno baixa. No ano passado, decidiu optar por começar a diferenciar-se da concorrência, evoluindo para um segmento premium, respondendo à questão: O que é que as outras plataformas não têm? “Criámos um site que permite a reserva de um milhão de pacotes durante a noite sem intervenção humana e começámos a criar um nível de serviço que as agências online normalmente não oferecem: pacotes à medida. Temos ferramentas que nos permitem enviar orçamentos em 15 minutos e com coisas muito complexas, que levariam horas a compor a um agente tradicional. Isto posiciona-nos como marca premium especialista naquele destino”, explica.

Com a mudança, a empresa antecipa atingir “17 milhões de faturação” neste ano, para o que também contribuirá a Portugal Gateways. “Na prática, é a réplica do negócio nos Açores.” Ainda em processo de massificação, a marca aplica a receita da casa-mãe ao continente, apostando na oferta de voos e hotel para mais tarde se posicionar no segmento especializado.

Turismo sustentável

Não é só o continente que tem visto o número de visitantes crescer. Se em 2013, os Açores receberam mais de 345 mil turistas, no ano passado o número quase duplicou: foram mais de 633 mil. Luís Nunes reconhece que o arquipélago está na moda à boleia da crescente procura por “destinos que não estão massificados e que propiciam uma experiência autêntica, em que a natureza foi preservada”. Mas há um desafio pela frente: manter o equilíbrio entre um destino que não é de massas e acomodar possíveis novas operações. “No verão, a capacidade instalada já não é suficiente. Neste ano, provavelmente, os Açores terão uma ocupação próxima dos 100% em julho e agosto, o que significa que, para as transportadoras, não há capacidade para criar rotas. Temos de produzir novas camas para acomodar eventuais novas ligações.”

O plano de ordenamento do turismo prevê 20 mil camas na hotelaria tradicional nos Açores e Luís Nunes acredita que será suficiente se for possível reduzir a sazonalidade. “Captar mais turistas no inverno pode permitir crescer em turistas sem pressionar mais o destino.”

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