Segundo referendo

Maioria dos britânicos rejeitaria agora o Brexit

Um homem segura uma bandeira anti-Brexit na ponte de Westminster, em Londres. (Na bandeira: "Brexit, valerá a pena?") Julho de 2018. REUTERS/Yves Herman/
Um homem segura uma bandeira anti-Brexit na ponte de Westminster, em Londres. (Na bandeira: "Brexit, valerá a pena?") Julho de 2018. REUTERS/Yves Herman/

Um estudo realizado recentemente indica que, se houvesse um novo referendo, mais de metade dos britânicos votaria a favor da permanência na UE.

O impasse na conclusão de um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia – previsto para 29 de março de 2019 -, tem levado à penalização da divisa britânica e da própria economia. É exatamente por isso que o ceticismo dos britânicos continua a crescer. Segundo um estudo da NatCen, citado pela Bloomberg, à medida que o tempo passa, os britânicos têm cada vez mais receio de que um acordo de saída possa prejudicar a economia. O mesmo estudo revela que, se houvesse um segundo referendo, a maioria dos britânicos votaria contra o Brexit.

O estudo foi feito com base em entrevistas a mais de 2 mil pessoas, comparando as respostas às mesmas perguntas nos últimos dois anos. Os resultados mostram que 59% votaria a favor da permanência no Reino Unido, contra os 48,1% registados em junho de 2016. No referendo feito em junho de 2016, mais de metade dos ingleses votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (51,9% contra 48,1%).

Os britânicos estão mais críticos agora sobre a forma como o governo está a gerir a saída do país da UE. Neste momento, uma das questões que está a dificultar o processo é a da fronteira entre a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) e a República da Irlanda (parte da UE).

Contudo, estes impasses têm tido efeitos. Os estudos apontam ainda para que a economia britânica já esteja a sofrê-los mesmo antes de sair da União Europeia. O banco suíço UBS revelou esta semana que o Brexit já custou o equivalente a “2% do PIB” à economia do Reino Unido.

A chefe de governo britânica, Theresa May, já garantiu que não vai avançar com um segundo referendo, até porque, disse, avançar sem acordo, “não seria o fim do mundo”. Os partidos da oposição e os sindicatos já se mostraram contra e um dos maiores sindicatos britânicos, o GMB – representante dos setores do retalho, energia e serviços públicos – tem mesmo apoiado uma campanha para um novo referendo ao acordo que está em cima da mesa para o Brexit. Já o principal partido da oposição liderado por Jeremy Corbyn, o Partido Trabalhista, manifestou-se no verão passado pela manutenção do país no mercado único europeu por um período de transição após a saída da UE.

A primeira-ministra britânica elaborou os seus planos de saída do bloco económico assentes na ideia de que, deixando o mercado único, Londres poderia controlar sozinha a questão migratória. Contudo, e de acordo com a Bloomberg, uma saída do mercado único – com cerca de 500 milhões de pessoas – levanta muitas questões ao nível financeiro. E, dado que a economia britânica já estará a sentir os efeitos do Brexit, muitos podem especular que a situação possa agravar-se quando a saída de fato ocorrer.

No estudo é defendido que a “perceção de que a economia britânica vai sofrer em resultado do Brexit” é um dos pontos que tem convencido muitos dos que votaram pela saída de que fizeram “a escolha errada”.

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