OE2020

Mais 600 milhões em investimento público, mas país não sai do fundo da Europa

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Foto: TIAGO PETINGA/LUSA
O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Foto: TIAGO PETINGA/LUSA

No esboço orçamental enviado à CE, Centeno prevê outra vez crescimentos exuberantes do investimento público. Sobe 10% este ano e 16% no ano que vem

Mesmo sem as novas medidas que vão ser vertidas no Orçamento do Estado do próximo ano (OE2020) e que, tudo indica, deverão impulsionar ainda mais o investimento público, o esboço orçamental enviado esta semana para Bruxelas indica que essa rubrica vai crescer a um ritmo extremamente elevado, que pode chegar a 16% em 2020 face a 2019, tudo num cenário de políticas constantes.

Nas contas enviadas à Comissão Europeia (CE) no decorrer desta semana, o ministro das Finanças, Mário Centeno, promete uma subida do investimento público na ordem dos 16,2% no ano que vem só por via das decisões já tomadas num passado recente. São mais 600 milhões de euros, segundo os cálculos do Dinheiro Vivo com base nos novos números do esboço orçamental onde figuram as taxas de investimento público face ao produto interno bruto (PIB) e o respetivo PIB nominal em 2019 e 2020.

Este salto no investimento público em 2020 acumula com uma subida substancial, em 2019. Centeno estima que o investimento do Estado deve crescer quase 10% este ano.

Com tantos investimentos a acontecer e outros prestes a ver a luz do dia, como está Portugal em comparação com os restantes países da zona euro? Continua na mó de baixo.

Recorrendo ao comparativo dos planos orçamentais dos 19 da zona euro, Portugal será o segundo mais fraco no investimento público em percentagem do PIB, neste grupo, em 2019. E o terceiro mais débil em 2020.

No ano que vem, pelas contas de Centeno, o investimento do setor público deve equivaler a apenas 2,2% do produto interno bruto (PIB), abaixo dos 2,5% de 2012, já o país estava sob forte ajustamento orçamental e numa grave recessão.

Mas como a base é baixa, Portugal até vai conseguir ter dos maiores aumentos proporcionais da zona euro. A Grécia lidera, com um reforço de meio ponto percentual do PIB; Portugal divide o segundo lugar em aumento anual com Irlanda, Luxemburgo e Lituânia. Todos estes Estados registam incrementos de duas décimas no rácio do investimento público face ao tamanho da economia.

Só dois países terão níveis de investimento mais baixos do que Portugal. Espanha deve ficar-se pelos 2,1% do PIB, Chipre pelos 1,9%, estimam os respetivos governos nos planos enviados a Bruxelas.

Portugal tem finalmente as contas públicas equilibradas (o governo prevê um défice de apenas 0,1% este ano e um saldo de 0% no próximo), está fora do procedimento por défices excessivos, mas o investimento público não vai sobressair, como na Grécia ou na Finlândia (ambos com 4,3% do PIB).

O governo diz que está a investir, mas ao mesmo tempo acena com “prudência”. Portugal tem contas equilibradas, mas também possui uma dívida monumental para pagar, na ordem dos 119% do PIB. É a terceira mais elevada da Europa.

Em resumo, o investimento público em 2020 aumentará, no mínimo, 600 milhões de euros (para um total de 4,8 mil milhões de euros) alavancado em “projetos entretanto autorizados e, nalguns casos, já em execução”, explica o gabinete de Centeno.

Por exemplo, depois de uma fase de saneamento financeiro e de correção de desequilíbrios, as Finanças acreditam que “em 2019 e 2020, o crescimento das despesas das empresas públicas voltará ao seu ritmo normal e, consequentemente, o setor deverá ter melhorias financeiras sustentadas”.

Outro exemplo é “o plano de investimentos para o desenvolvimento do sistema ferroviário nacional [Ferrovia 2020], com vista ao reforço da capacidade da rede, da redução dos custos de transporte, da diminuição dos tempos e trajetos e da melhoria das condições de segurança e fiabilidade”.

As Finanças dizem que a esperada “aceleração do crescimento do investimento público (9,7% em 2019 para 16,2% em 2020) deverá ainda contribuir positivamente para o aumento do ritmo de crescimento da economia”, que este ano avança 1,9% e no ano que vem 2%.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Foto: EPA/PATRICK SEEGER

Bruxelas dá luz verde a Banco Português de Fomento

(João Manuel Ribeiro/Global Imagens)

Clientes com mais de 10 mil euros no BCP começam a pagar comissão

Centenas de turistas visitam todos os dias os jardins do Palácio de Cristal, no Porto. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

FMI: Portugal com perdas acima de 2% do PIB devido à quebra no turismo

Mais 600 milhões em investimento público, mas país não sai do fundo da Europa