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Mais de dois terços das mulheres portuguesas ganham menos de 900 euros

Fotografia:      REUTERS/Yves Herman
Fotografia: REUTERS/Yves Herman

Estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos inquiriu 2,7 milhões de mulheres portuguesas entre os 18 e 64 anos.

Começaram a trabalhar aos 20 anos, passaram por quatro empregos, dedicam 38 horas por semana ao trabalho pago e ganham menos de 900 euros. Em traços gerais, é este o retrato atual da situação das mulheres portuguesas no mercado de trabalho.

As conclusões foram apresentadas esta terça-feira no estudo “As mulheres em Portugal, hoje”, um trabalho exaustivo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) que inquiriu 2,7 milhões de portuguesas entre os 18 e os 64 anos, o equivalente a 81% do total de mulheres portuguesas desta faixa etária. A investigação deixou apenas de fora as mulheres que não têm acesso à internet.

O estudo foi apresentado na Aula Magna, em Lisboa, numa sessão inaugurada pelo presidente da República. No discurso de abertura, Marcelo Rebelo de Sousa chamou a atenção para a “chocante diferença salarial” que ainda existe entre homens e mulheres.

Segundo a investigação, coordenada pela economista Laura Sagnier, 71% das 2,7 milhões de mulheres inquiridas tem atualmente um trabalho pago, o equivalente a 1,9 milhões de trabalhadoras. Destas, 34% auferem entre 451 euros e 680 euros por mês.

O segundo nível salarial mais representado é o que oscila entre os 681 euros e os 900 euros mensais. Dele fazem parte 26% das mulheres inquiridas. Abaixo do patamar dos 450 euros há ainda cerca de 133 mil mulheres, o equivalente a 7% do total. No total, 67% das mulheres que têm um trabalho pago levam para casa até 900 euros.

Quanto maior é o salário, menor é a percentagem de trabalhadoras que o aufere. No patamar mais elevado, que abrange as mulheres que ganham mais de 2270 euros mensais, estão apenas 2% das trabalhadoras portuguesas, cerca de 38 mil pessoas.

“Emprego ideal” é o que tem “um bom salário”

Mais de metade das inquiridas consideraram ainda que “as mulheres têm dificuldades em progredir hierarquicamente porque a maioria das empresas são dirigidas por homens e estes preferem promover outro homem”.

Há ainda mais de 20% de mulheres com experiência no mercado de trabalho que acreditam que “os filhos das mulheres que trabalham são pior cuidados que os filhos das mulheres que não trabalham”.

Quando questionadas sobre o que valorizam no seu “emprego ideal”, o aspeto que surge em primeiro lugar é “que tenha um bom salário”. Seguem-se a conciliação com a vida familiar e a valorização pessoal.

O tempo médio dedicado ao trabalho pago ronda as 40 horas semanais, apesar de haver uma percentagem significativa (26%) de mulheres que dizem ultrapassar esse limiar. Duas em cada três das inquiridas admite que, se pudesse escolher, trabalharia menos horas.

As trabalhadoras que trabalham mais horas são as proprietárias de um negócio ou empresa e as diretoras, chefes de departamento ou membros de conselhos de administração. No extremo oposto, com 35 horas por semana, estão as trabalhadoras independentes qualificadas.

Mais de 600 mil precárias

Entre quase dois milhões de inquiridas com trabalho pago, 86% são empregadas por conta de outrem e destas, 64% trabalham no setor privado. Há 24% de trabalhadoras vinculadas à administração pública.

No mesmo universo de 1,9 milhões de trabalhadoras, há 33%, ou 627 mil pessoas, que têm vínculos contratuais instáveis, como contratos a termo certo (19%), contratos de prestação de serviços (1%), estágios profissionais (1%) ou recibos verdes (1%). Os vínculos instáveis, detalha o estudo, alcançam “o seu valor máximo entre as mulheres que estão empregadas na administração pública sem ser funcionárias (chega a 49%) “.

A grande maioria das inquiridas (80%) confessou ainda não ter flexibilidade para trabalhar a partir de casa.

Na análise feita aos padrões de deslocação, os investigadores concluíram que 61% das mulheres trabalhadoras conduz um veículo próprio e demoram 19 minutos a chegar ao local de trabalho. As que recorrem aos transportes públicos precisam de 45 minutos para completar a deslocação. As mulheres que trabalham na Área Metropolitana de Lisboa são as que precisam de mais tempo para chegar ao trabalho: em média 30 minutos.

O estudo conclui ainda que, para 44% das inquiridas, o trabalho que desempenham está abaixo das expectativas que tinham criado e 51% estão infelizes com emprego que têm.

Atualizada às 18h34 com mais informação.

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