Teletrabalho

Mais de um milhão trabalhou em casa no 2º trimestre

(Orlando Almeida / Global Imagens)
(Orlando Almeida / Global Imagens)

Três quartos dos trabalhadores não tiveram ainda assim opção de teletrabalho. Destes, quase 644 mil estiveram ausentes sem trabalhar.

Mais de um milhão de trabalhadores trabalharam a partir de casa “sempre ou quase sempre” durante o segundo trimestre. Foi quase um quarto da população empregada, de acordo com dados do último Inquérito ao Emprego do INE publicado esta quarta-feira.

Entre abril e junho, houve 1 094,4 mil pessoas a trabalhar de casa, o que representou 23,1% do total da população empregada. Na grande maioria dos casos, a opção pelo trabalho em casa foi ditada pela pandemia, com apenas 8,8% dos trabalhadores a indicar outros motivos para o trabalho remoto.

Ainda assim, segundo o INE, mais de 3,6 milhões de trabalhadores não trabalharam a partir de casa neste período, sendo que 643,8 mil trabalhadores estiveram ausentes do emprego no período analisado pelo inquérito. A nota estatística refere que para 491,5 mil desses trabalhadores a razão para não trabalharem, em casa ou no emprego, foi a pandemia do novo coronavírus.

Os dados do INE indicam que perto de 413,9 mil destes trabalhadores se mantinham ausentes do trabalho por um período superior a um mês, mas ainda inferior a três meses. Outros 33,8 mil estavam afastados do trabalho há mais de três meses, havendo ainda outros 43,8 mil ausentes há menos de um mês nas semanas em que o inquérito incidiu.

Foram sobretudo as mulheres que tiveram ausentes devido à pandemia num período em que as escolas se mantiveram encerradas. Segundo o inquérito, 401,7 mil trabalhadoras não puderam trabalhar, sendo que no universo dos homens o número se fica por 242 mil.

Já no que toca a sectores de atividade, os trabalhadores dos serviços foram os mais ausentes no período que coincidiu com o encerramento administrativo de muitos estabelecimentos, constituindo o grosso daqueles que não puderam ir trabalhar – 492,4 mil trabalhadores do sector estiveram ausentes.

Por regiões, a Área Metropolitana de Lisboa foi aquela em que uma maior fatia da população empregada pode ir para casa trabalhar. Foram 36% dos trabalhadores. No Norte, a percentagem foi de 19,8%, seguida da do Algarve (18,5%), da do Alentejo (17,4%), Madeira (16,9%), Centro (16,7%) e Açores (16,4%).

O inquérito do INE aponta ainda que entre quem trabalhou em casa a média de horas semanais de trabalho foi de 33 horas. Já entre quem não esteve em trabalho remoto, a média semanal de horas trabalhadas ficou-se pelas 25. A diferença de oito horas reflete, segundo o INE, as medidas de lay-off simplificado que reduziram horários de trabalhadores – na maioria dos casos, ficando estes m suspensão total de contrato, com zero horas, havendo ainda reduções significativas de jornada em muitas empresas.

Quando são retirados da análise os trabalhadores que ficaram impedidos de trabalhar em casa ou no posto de trabalho, as diferenças esbatem-se. Quem ficou em casa trabalhou em média menos uma hora do que quem continuou a ir ao posto de trabalho (35 e 36 horas semanais, respetivamente).

Atualizado com mais informação às 12h46

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
apple one

Apple One junta vários serviços, chega a Portugal mas com limitações. O que tem

A  90ª edição da Micam, a feira de calçado de Milão, está agendada para os dias 20 a 23 de setembro, com medidas de segurança reforçadas. Fotografia DR

Calçado. Micam arranca este domingo e até há uma nova marca presente

Os ministros da Presidência do Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva (C), Economia, Pedro Sia Vieira (E) e do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho (D). MANUEL DE ALMEIDA/POOL/LUSA

Portugal é o quarto país da UE onde é mais difícil descolar do mínimo

Mais de um milhão trabalhou em casa no 2º trimestre