Mais frescos e naturais, menos sal e açúcar: as preferências dos millennials

Sobre Portugal, o estudo realizado pelo AgroCluster do Ribatejo dá conta de uma quebra no consumo de carne e de um aumento do consumo de frescos.

Produtos alimentares mais frescos, naturais e orgânicos, com menos sal e açúcares. Assim são as preferências dos millennials, geração "mais atenta à composição dos alimentos" e que, por isso, terá "um impacto cada vez maior na indústria do consumo e nos padrões alimentares". Esta é uma das principais conclusões do estudo Tendências de Consumo: Geração Y - Millennials, realizado pelo núcleo empresarial AgroCluster Ribatejo.

A análise, baseada em cinco mil entrevistas a millennials portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e norte-americanos, destaca a forte valorização da saúde e do bem-estar pelos jovens, que obrigará as marcas a adequar "os seus produtos a este estilo de vida, oferecendo produtos com menos sal, menos açúcar e menos carnes processadas".

Sobre Portugal, onde os millennials representam 19,2% da população - perto de dois milhões de consumidores, portanto - o estudo dá conta de uma quebra no consumo de carne desde há três anos, apontada por 58% dos inquiridos, e de um aumento do consumo de frescos, referida por 84%.

Os millennials portugueses são sensíveis às promoções e descontos: nas idas às compras, 85% dos jovens procuram artigos de folheto ou em promoção. Sobre o e-commerce, a análise refere que 78% dos jovens fizeram compras na internet nos últimos três meses e que 54% admitem a possibilidade de comprar produtos alimentares online. A "facilidade e a comodidade fornecida pelas novas tecnologias, quer na experiência, quer na entrega dos produtos, sustentará uma maior interação dos millennials com apps de retalhistas e marcas", refere ainda a análise do AgroCluster Ribatejo.

O fator conveniência será valorizado nas decisões de consumo dos millennials, refere o estudo, antecipando o surgimento de "supermercados, lojas de conveniência e take aways mais próximos das casas dos consumidores", para dar resposta "à falta de tempo e à desestruturação do mercado de trabalho e da vida familiar". Da mesma forma, o estudo prevê o aumento do consumo de refeições pré-preparadas.

Entre outras tendências alimentares, o estudo destaca a popularidade de "produtos tradicionais que invoquem o saudosismo", por conferirem "um sentimento de conforto num mundo que é cada vez mais incerto e composto de constantes mudanças", e o "aumento do consumo de comidas do mundo e da procura por ingredientes exóticos".

"Os resultados deste estudo são uma prova de como os padrões de consumo estão a mudar. Os millennials já estão a alterar a economia e a forma como vendemos e compramos. Por isso mesmo, é fundamental para as empresas que operam no setor agroalimentar redefinirem os seus negócios e direcionarem os seus produtos e estratégias para irem de encontro a esta nova geração de consumidores", refere Carlos Lopes de Sousa, presidente do AgroCluster do Ribatejo.

O estudo Tendências de Consumo: Geração Y - Millennials está inserido no âmbito do projeto AGROCAPACITA – Capacitação do setor agroalimentar no Horizonte 2020, apoiado pelo Programa Operacional Alentejo 2020.

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