Turismo

Mais turistas em Lisboa só com aposta nos transportes 

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Esgotamento do aeroporto e escassez de barcos preocupam. Turismo de Lisboa começa a pensar plano estratégico. 

A marca já está implementada agora é preciso investimento para que a influência de Lisboa atravesse o rio e traga mais turistas. Isto significa uma aposta nos transportes, tanto rodoviários como fluviais, especialmente, numa altura em que se desenha o alargamento do aeroporto.

“Temos um Plano Estratégico para o Turismo na Região de Lisboa que termina este ano. Essencialmente, teve um conceito que, por um lado, foi aproveitar a capacidade de atração da marca Lisboa em termos internacionais e por outro, trabalhar numa lógica de centralidades”, disse ao Dinheiro Vivo, Vítor Costa, presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa. Agora, as prioridades do Plano Estratégico que entra em vigor no início do próximo ano são “mobilidade interna, externa, investimento, mais conteúdos e aproveitar os recursos”.

Fala-se muito do aeroporto mas “a mobilidade interna é uma questão tão fundamental como a externa”, lembra Vítor Costa. “Um turista pode estar em Almada e vir a Lisboa, mas para isso tem de poder deslocar-se com facilidade e tem de ter oferta, hotéis por exemplo. Pode estar alojado no Barreiro e vir ver o Terreiro do Paço”.

Para isso faz falta atrair investimento privado, que já começou a chegar para alojamentos na margem Sul, mas ainda lentamente. “Sabemos que há muitas intenções porque somos procurados para dar opinião. Agora é mais difícil investir no centro da cidade onde é mais caro e há muita oferta. É mais fácil e barato sair do centro, e depois pode ter-se a mesma rentabilidade desde que haja a associação à marca Lisboa e que haja acessibilidade e condições”.

A diversificação do interesse dos potenciais investidores já abrange quase toda a área a sul do Tejo, beneficiando também das notícias que apontam para a instalação da extensão do aeroporto da Portela na atual base militar do Montijo. “Todos os municípios envolventes estão a receber atenção. É o Montijo, Seixal, Barreiro, Alcochete, embora também haja aqui questões que têm de ser resolvidas de mobilidade interna, das infraestruturas, entre Barreiro e Seixal, Alcochete”.

Enquanto se pensam os desafios e as prioridades para o desenvolvimento da região de Lisboa, Vítor Costa assume que não faz sentido um ideal de aeroporto fora da cidade, como aconteceria se fosse construído uma nova infraestrutura de raiz em Alcochete, uma vez que obrigaria a encerrar as operações na Portela. “Discordo por duas razões, primeiro porque é um processo que é muito mais moroso, depois porque implicaria fazer um aeroporto muito longe. É fora da área metropolitana. E porque implicava no final da linha encerrar a Portela. E toda a gente que trabalha no Turismo, agentes, operadores e companhias aéreas, sabem que a Portela é decisiva”.

E se o Montijo não avançar? “Depende da nossa ambição. Se quisermos ficar assim já temos 9 milhões de turistas, não sei quantos hotéis, as taxas de ocupação são boas, e as rentabilidades são boas, podemos ficar aqui. Mas se quisermos passar para outro patamar precisamos de resolver o problema do transporte aéreo”, realça Vítor Costa, lembrando que “95% dos turistas que visitam Lisboa vêm por via aérea”.

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