Malparado das famílias cai em todos os créditos

Fotografia: DR
Fotografia: DR

A cobrança duvidosa continua a pesar nas contas dos bancos. No entanto, em junho, pela primeira vez este ano, as famílias conseguiram reduzir o malparado em todos os segmentos de crédito. A maior redução aconteceu no crédito para outros fins, que agrega empréstimos, por exemplo, para a educação.

No final de junho, os bancos tinham 5.363 milhões de euros de empréstimos em situação de cobrança duvidosa. Este é o valor mais baixo de todo o ano, mas como os volume de créditos está mais pequeno, representa ainda 4,41% do total de concedidos às famílias – ainda acima do volume de 4,36% de janeiro e distante dos 4,1% de março do ano passado.

A dificuldade na cobrança dos créditos destinados ao consumo continua a ser o maior problema da banca. Em junho, o malparado recuou 0,9%, mas ainda assim, representou 10,86% do total de créditos concedidos para este fim. Eram 1.299 milhões de euros de um total de 11.962 emprestados.

Como é habitual, o crédito à habitação é o que revela menos incumprimentos, com o malparado a representar apenas 2,53% do total de empréstimos registados para a compra de casa. Havia ainda assim 2.527 milhões de cobrança duvidosa em junho, ao nível do registado em março.

Os dados surgem poucos dias depois de o Fundo Monetário Internacional ter alertado que não está satisfeito com a banca portuguesa e que serão necessárias medidas mais direcionadas para ajudar os bancos. “A fraca rentabilidade deixa pouco espaço para os bancos absorverem perdas adicionais, num contexto em que os créditos malparados ainda estão a subir”, afirmou a instituição com sede em Washington.

No segmento do crédito para a compra de casa, o Banco de Portugal regista apenas 99.984 milhões de euros, o valor mais baixo desde outubro de 2007. Desde abril de 2011, ou seja, há 51 meses que o Banco de Portugal vai divulgando valores cada vez menos empréstimos para a compra de habitação – ainda que o número de novos contratos de crédito esteja a aumentar desde o final do ano passado, de acordo também com o Banco central português.

A redução no volume de empréstimos para a habitação – tradicionalmente o crédito mais procurado e que mais preocupa as famílias – está também a pressionar o total de créditos concedidos pela banca. Em junho voltou a registar-se um valor mínimo, numa altura em que a contração já acontece desde abril de 2011 – o exacto momento em que Portugal pediu ajuda financeira à troika.

Entre famílias e empresas, o valor total dos novos empréstimos totalizou 3.920 milhões de euros no mês de junho, o que significa uma queda de 21,8% face ao valor homólogo – conduzida pela redução nos empréstimos às empresas. Houve, ainda assim, um aumento face aos 3.491 milhões de euros concedidos em maio.

A CMVM alertou este mês para o esforço bem conseguido de desalavancagem das famílias. Os portugueses estão a esforçar-se por honrar os seus compromissos e, mais importante, estão a reduzir o endividamento. No pico da crise financeira, as famílias chegaram a ter oito créditos.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Centeno mantém crescimento de 1,9% este ano. Acelera para 2% no próximo

O ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: José Sena Goulão/Lusa

Dívida pública desce mais devagar do que o previsto

desemprego Marcos Borga Lusa

Taxa de desemprego nos 5,9% em 2020. A mais baixa em 17 anos

Outros conteúdos GMG
Malparado das famílias cai em todos os créditos