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Manson, o construtor de guitarras dos Led Zeppelin que se refugiou em Portugal

Andy Manson. Fotografia: Paulo Novais/Lusa
Andy Manson. Fotografia: Paulo Novais/Lusa

Em 2010, Andy Manson mudou-se para uma aldeia em Mortágua. Apesar de se sentir "isolado social e culturalmente", neste lugar consegue "respirar".

Andy Manson, o inglês que construiu guitarras para John Paul Jones e Jimmy Page, dos Led Zeppelin, vive agora em Mortágua, no distrito de Viseu. Em 2010, cumpriu o sonho de se mudar para o sul da Europa – por ser mais quente e por gostar da ideia de ter “oliveiras a crescer” à volta da sua casa. Decidiu-se por uma casa numa aldeia de Mortágua, que considera que “é um bom lugar para fazer guitarras”. E um bom lugar para um luthier – nome dado aos construtores de guitarras – é um lugar “calmo, pacífico e sossegado”.

“Pôr a madeira a falar” é o que o inglês de 67 anos faz desde os anos 1960, altura em que criou a sua primeira guitarra, primitiva e feita com os materiais que tinha à mão. Desde essa, passaram pelas suas mãos mais de mil e afirmou-se como um luthier de renome internacional, que em 50 anos de carreira já teve como clientes os Led Zeppelin, The Police, o líder dos Jethro Tull, Ian Anderson, Josh Homme, dos Queens of the Stone Age, ou Tori Amos.

Sobre a nova morada, Manson diz gostar realmente do que vê “à volta”. “Há algo forte e natural na forma como as pessoas vivem aqui”, disse à agência Lusa. Apesar de, por um lado, se sentir “isolado social e culturalmente”, neste lugar consegue “respirar”. E até já se aventurou na criação de uma viola e de uma guitarra portuguesas.

Face à mestria e fama que foi ganhando, as suas criações – sobretudo guitarras acústicas, bandolins e bandoloncelos – começam nos seis mil euros. No final de cada instrumento, assegura, não há um sentimento de orgulho. “É mais o sentimento de frustração de que não é tão bom como eu gostaria. Porque ao fim de cada guitarra, há sempre um salto. Aprendo sempre mais do que aquilo que sabia quando comecei”, explica, considerando que as diferenças são “subtis” – afinações de ouvidos e mãos que detetam pequenas melhorias.

“Para mim, há mais do que o produto final. [Construir guitarras] é uma forma de vida, um modo de estar”, explica Andy Manson, que considera que a venda é uma coisa separada da criação. A construção “é uma cerimónia, um ritual e uma alegria por si só”, que demora, pelo menos, um mês.

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