Marca “Portugal Rural” é uma exigência do setor

Objetivo é atrair mais estrangeiros para o turismo rural
Objetivo é atrair mais estrangeiros para o turismo rural

Durante dois dias, o turismo rural foi tema de debate, em Oleiros, com a organização do seu primeiro congresso. Protagonistas reclamam inclusão explícita da atividade nos planos nacionais do turismo.

“As perspetivas de crescimento para este setor são muito animadoras, mas é preciso organizar o produto e promovê-lo de uma forma adequada, de modo a que este tenha visibilidade lá fora e a procura externa aumente”, defende Cândido Mendes, presidente da Federação Portuguesa de Turismo Rural (FPTR), entidade que organizou o primeiro congresso dedicado ao assunto, que hoje termina, em Oleiros.

Leia também Novo passaporte europeu quer facilitar o recrutamento no sector da hotelaria

Por isso mesmo, o congresso teve também por objetivo mostrar que “o turismo rural tem um importante papel a prestar nos territórios rurais, contribuindo para o aumento da empregabilidade e da melhoria das economias locais, dando de igual modo o seu contributo para o PIB Nacional”, adiantou Cândido Mendes.

No entanto, o presidente da Federação apontou alguns constrangimentos aos crescimento do setor. “Desde logo, pela sua forte dependência (para não dizer exclusiva) da procura interna”, com picos de sazonalidade, “na medida em que esta procura se situa sobretudo nos fins de semana, pontes, feriados e meses de verão”.

Cândido Mendes enumerou outras dificuldades, como “custos de contexto muito elevados, como por exemplo as energias (eletricidade, gás, gasóleo), as telecomunicações caras e de má qualidade”, e, além disso, “a dificuldade de contratação de mão de obra especializada”.

Para dinamizar e valorizar a atividade, Cândido Mendes assinala outro contratempo, mas este a nível político. O Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), de 2013 a 2015, estima para o turismo de natureza um crescimento anual de 5%, salientando a importância de estruturar a oferta, nomeadamente em meio rural, mas não é referido especificamente o turismo rural. Uma lacuna que a Federação quer ver corrigida, com a criação da Marca Portugal Rural e a sua inclusão na próxima revisão do PENT e do Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento Rural, “de forma a que sejam alocadas verbas para a promoção, com vista a aumentar a vinda de turistas estrangeiros”.

Para já, a Federação organizou o 1.º Congresso de Turismo Rural, que durante dois dias contou com a participação das entidades regionais de turismo, da CCDR-Centro e do Turismo de Portugal .

Impactos locais

Em 2012, existiam em Portugal cerca de mil unidades de turismo rural (incluindo as modalidades agroturismo, casas de campo, hotéis rurais), segundo o INE, que representavam uma oferta de cerca de 12 500 camas. O número de dormidas registadas foi de 845 mil, correspondendo a uma taxa de ocupação de sensivelmente 18,5%.

“Considerando a transversalidade que o turismo representa, falamos de um mínimo de 845 mil refeições em restaurantes do mundo rural, em dinâmicas de compra de artigos regionais e demais atividades económicas”, sublinhou Cândido Mendes.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Linhas de crédito anti-covid ainda podem vir a pesar muito nas contas públicas

Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Apoio a rendas rejeitado devido a “falha” eletrónica

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Só 789 empresas mantiveram lay-off simplificado em agosto

Marca “Portugal Rural” é uma exigência do setor