III Encontro Fora da Caixa

Marcas para a classe média estão em dificuldades nos Estados Unidos

III Encontro FORA DE CAIXA na Fundação Copertino de Miranda no Porto. Sérgio Rebelo (Economista e Professor Universitário)
(Amin Chaar / Global Imagens)
III Encontro FORA DE CAIXA na Fundação Copertino de Miranda no Porto. Sérgio Rebelo (Economista e Professor Universitário) (Amin Chaar / Global Imagens)

Sérgio Rebelo, professor da Kellogg School of Management diz que “pela primeira vez na história da economia americana, as oportunidades de crescimento estão todas em luxo e em valor”

As marcas que se direcionam para os consumidores da classe média, nos Estados Unidos da América, estão a enfrentar dificuldades financeiras. É essa a leitura que Sérgio Rebelo, professor da Kellogg School of Management, faz da economia americana atual. Ao falar no III Encontro Fora da Caixa, promovido pela Caixa Geral de Depósitos, que decorreu, na tarde desta sexta-feira, na Fundação Dr. Cupertino de Miranda, no Porto, o economista afiançou que “pela primeira vez na história da economia americana, as oportunidades de crescimento estão todas em luxo e em valor”.

O público alvo da maior parte das empresas dos EUA é o consumidor da denominada “classe média”. No entanto, Sérgio Rebelo garante que esse setor não tem crescido. Pelo contrário, “até está em retrocesso”. “Todas as marcas para a classe média estão com grandes dificuldades. Essa classe está, cada vez mais, a comprar produtos baratos. As pessoas estão a tentar poupar dinheiro de qualquer maneira que consigam, ao adquirir produtos de marcas brancas e em promoção. Vemos o consumidor numa postura defensiva, mas, depois, a comprar um luxo qualquer, como um batom de 36 dólares ou um serviço de SPA, por 125”, explicou o economista. E é essa tendência, aparentemente, que tem feito com que tanto o segmento dos produtos mais económicos (onde se inclui, por exemplo, a Zara), como o dos de luxo (que é o caso da Louis Vuitton), estejam a registar um crescimento elevado.

Rendimentos baixaram com a globalização

O certo é que, nos últimos 40 anos, o nível de vida dos americanos tem diminuído. Segundo Sérgio Rebelo, “o único salário médio que está maior do que em 1979 – quando se deram passos para a China englobar a economia mundial – é o das pessoas com grau universitário, que corresponde apenas a 33 por cento dos americanos”. O “efeito China”, como os americanos lhe chamam, “veio reduzir o preço de tudo o que pode ser produzido lá”. Nos EUA, desde a década de 70, “o preço das televisões baixou 95% e o dos brinquedos 75%”. “Nos Estados Unidos e no Reino Unido, dois países com mercados de trabalho extremamente flexíveis, foram os trabalhadores quem sofreu com o fenómeno da globalização. As empresas, que deixaram de querer produzir nos seus próprios países, podem despedir sem indemnizações e continuam a ter rentabilidade. Foi isso que levou ao Brexit”, sublinhou o economista.

Por seu turno, países como a Itália ou como a França parecem ter protegido os seus empregos, com políticas rígidas no mercado de trabalho. “Nesses países, a distribuição dos rendimentos tem-se mantido estável. Aumentou a desigualdade de rendimento dentro dos países desenvolvidos, mas foi principalmente naqueles que têm uma grande flexibilidade no mercado de trabalho ”, concluiu Sérgio Rebelo.

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