Incêndios

Marcelo pede ao Parlamento que clarifique se quer manter Governo em funções

Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 
  Fotografia: RODRIGO ANTUNES/LUSA
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Fotografia: RODRIGO ANTUNES/LUSA

Marcelo disse que na abertura de "um novo ciclo", o Governo deverá "inevitavelmente ponderar o quê e quem melhor serve esse ciclo"

Foi um alerta presidencial. No rescaldo dos incêndios dos últimos dois dias, Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta terça-feira vários recados ao Governo, destacando a “fragilidade que atinge os poderes públicos”.

Em direto de Oliveira do Hospital, um dos concelhos mais afetados pelos fogos, o Presidente da República afirmou que “se há na Assembleia da República quem questione a capacidade do atual Governo de realizar mudanças indispensáveis, então, a mesma Assembleia da República, soberanamente, deverá clarificar se quer manter o Governo em funções”.

O Presidente sublinhou que na abertura de “um novo ciclo”, o Governo deverá “inevitavelmente ponderar o quê, quem, como e quando melhor serve esse ciclo”.

E afirmou que “reformar a pensar no médio e longo prazo, não significa ter de conviver com novas tragédias até lá chegarmos”. No domingo, durante o pico dos incêndios, António Costa tinha afirmado que “situações como esta seguramente vão repetir-se”.

Num discurso marcado pelas várias referências às cerca de 100 pessoas que perderam a vida em incêndios nos últimos quatro meses, Marcelo assumiu o “peso na consciência”, mas também a “interpelação política” que o número de vítimas deve representar, sublinhando que “é justificável que se peça desculpa”.

E que “a melhor forma de pedir desculpa é reconhecer com humildade que portugueses houve que não viram os poderes públicos como garante de segurança e confiança”.

O Presidente pediu ainda que se dê daqui para a frente “prioridade à floresta”, sublinhando que “esta é a última oportunidade para levar a sério a floresta e convertê-la em prioridade nacional, com meios para isso, senão será uma frustração nacional. Se houver margem orçamental, que se dê prioridade à floresta e aos fogos”, pediu o Presidente.

Entre as várias mensagens que deixou ao Executivo de António Costa, Marcelo sublinhou que “espera que o Governo retire todas, mas mesmo todas, as consequências da tragédia de Pedrogão”.

“Por muito que a frieza destes tempos, cheios de números e chavões políticos, económicos e financeiros, nos convidem a minimizar ou banalizar estes mais de 100 mortos, não mais sairão do meu pensamento como um peso enorme da minha consciência tal como no meu mandato presidencial”, afirmou o chefe de Estado.

“Quem não entenda isto, humildade cívica, e rutura com o que não provou ou que não convenceu, não entendeu nada do que se passou no nosso país. Para mim, mudar de vida neste domínio é um dos testes ao cumprimento do mandato que assumi. Nele me empenharei totalmente até ao fim desse mandato. Impõem-no milhões de portugueses mas sobretudo os mais de 100 portugueses que tanto esperavam da vida no inicio do verão de 2017 e não chegaram ao dia de hoje “, conclui o Presidente da República.

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