Conferências do Estoril

Marcelo: “Ceder ao populismo por vezes pode ser tentador”

Fotografia: Lusa
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O discurso do Presidente marcou o arranque das Conferências do Estoril, que decorrem entre esta segunda e a próxima quarta-feira

Uma carta tendo o Papa Francisco como rementente, outra com o nome de António Guterres no espaço do destinatário. Foi assim o arranque das Conferências do Estoril, que decorrem entre esta segunda e a próxima quarta-feira no Centro de Congressos, sob o mote das Migrações.

A abertura do evento bianual esteve a cargo do presidente da República, que deixou um apelo à “esperança”.

“Portugal foi grande na história sempre que foi tolerante, universal, sempre que soube ser uma plataforma entre culturas, civilizações e continentes. Foi pequeno quando foi intolerante, quando praticou a escravatura e a inquisição. Ficou aquém do que deveria ser a sua historia. Foi assim no passado. Aceitamos o passado sabendo o que teve de bom e mau. Mas estamos a construir um presente e um futuro diferentes”, destacou Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente sublinhou o papel de Portugal na luta europeia “por políticas comuns de migração” e na liderança na “proporção de refugiados” recebidos pelo país, considerando que “é preciso apostar no desenvolvimento económico, social e cultural das sociedades de onde vêm os migrantes”.

Marcelo afirmou que a Europa “ignorou por tempo de mais” a Ásia, a América Latina e o continente africano. “Quando olhamos à volta e vemos responsáveis políticos, protagonistas da cena internacional, a defender a intolerância e a xenofobia, temos de responder culturalmente”, declarou.

O presidente afirmou ainda que “o mais importante é não ceder à tentação de ser securitário, de sacrificar a liberdade e por em causa a democracia”, referindo que “ser-se populista em certo momento pode ser tentador”, mas apesar de “ganharem no curto prazo, perdem no médio e no longo prazo. A vitória é de quem luta pelos principios”, reforçou Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo que “enquanto houver esses milhares de pessoas a lutar, há esperança”.

Antes do presidente da República, o Centro de Congressos do Estoril, que juntou para a abertura os participantes das conferências Horasis, já tinha ouvido outros apelos à abertura e solidariedade. O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, sublinhou que nos últimos tempos “o medo deu lugar à intolerancia, ao ódio e ao fanatismo” e questionou “como é que decaímos tanto na natureza humana”, sublinhando que “o maior problema do mundo é a ganância de poucos que fazem mal a tantos”.

O vice-presidente da Câmara de Cascais apelou à “estabilização dos valores fundamentais de liberdade e solidariedade” e notou que “chegou a altura de aceitar um tempo novo”. Tal como a responsável pelas Conferências do Estoril, Teresa Violante, declarando que “a globalização foi vítima do seu próprio sucesso”. Segundo a presidente executiva das Conferências, “o futuro não é uma invevitabilidade escrita por alguém. Estamos aqui para mudar o mundo e não queremos menos do que isso”.

Já Daniel Traça, reitor da Nova School of Business and Economics, destacou que “o primeiro passo para resolver os problemas é o diálogo entre as gerações, religiões e géneros”, reforçando que “Portugal deve ser uma referência para o diálogo global”.

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