Marcelo Rebelo de Sousa: Vítor Gaspar “virou astrólogo”

Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa

Os
erros do ministro das Finanças nos cálculos do desemprego, da
recessão e do défice levaram Marcelo Rebelo de Sousa a considerar
que Vítor Gaspar perdeu credibilidade, tornando-se numa espécie de
“astrólogo”. “Vítor Gaspar perdeu larguissimamente a
credibilidade”, afirmou o professor, no seu comentário semanal na
TVI.

Centrando o seu comentário na sétima
avaliação da troika, Rebelo de Sousa considerou “doloroso”
assistir à conferência de imprensa que o ministro das Finanças deu
esta semana, onde admitiu que as previsões do governo estavam
erradas. “Parecia um bom aluno que vem confessar que reprovou o ano
e várias vezes.” Para Marcelo, o “fracasso”
no défice – que ficou muito acima do previsto – foi o pior dos
números. Aumento do desemprego, agravamento da recessão e
falta de confiança de cidadãos e investidores até podiam ser
vistos como consequência da crise, mas o erro repetido na previsão
do défice põe mesmo em causa a capacidade técnica de Vítor
Gaspar.

Depois desta sétima revisão, concluiu Rebelo
de Sousa, abril e maio serão “meses complicados”, dado que deve
ser conhecida nessa altura a decisão do Tribunal Constitucional
sobre a legalidade de algumas das medidas orçamentais, prevendo-se
também para esses meses o debate com a troika sobre novos cortes na
despesa pública. O discurso de Cavaco Silva no 25 de Abril será
mais um momento difícil, antecipa.

O professor afirmou ainda que as falhas nas previsões criaram um
problema de fundo: “Como é que os portugueses podem acreditar nas
previsões de Gaspar? Ele passou a ser um astrólogo”, criticou,
defendendo que o primeiro-ministro deve remodelar o Executivo antes
das autárquicas. “Nessa altura será tarde de mais.”

Este é também o momento, defende Marcelo Rebelo de Sousa, de o
Presidente da República convocar o Conselho de Estado de forma a
“construir pontes entre o PS e o governo, como já foi feito antes,
para aprovar pelo menos dois Orçamento do Estado”. Ainda assim, o
comentador considera que o governo devia preparar-se para antecipar
eleições para 2014.

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