Mercado de Trabalho

Marianne Thyssen: “Flexibilidade traz também incerteza”

Comissária do Emprego, dos Assuntos Sociais, das Competências e da Mobilidade Laboral, Marianne Thyssen.
Comissária do Emprego, dos Assuntos Sociais, das Competências e da Mobilidade Laboral, Marianne Thyssen.

Comissária europeia diz que países têm de adaptar regras para um mercado de trabalho com mais de 40% sem vínculos convencionais.

A comissária para o Emprego, Assuntos Sociais, Competências e Mobilidade Laboral, Marianne Thyssen, defendeu esta terça-feira, em Cascais, que o mercado de trabalho europeu está em recuperação, mas que esta “permanece frágil”, com níveis ainda elevados de desemprego jovem e de longo termo, e de precariedade.

A participar na abertura da 4ª Conferência Ministerial do Trabalho e Emprego da União para o Mediterrâneo (UpM), a responsável de Bruxelas alertou para a necessidade de os países reforçarem as regras e a proteção social num momento em que mais de 40% dos trabalhadores da UE estão por sua conta ou com vínculos laborais precários.

“Não nos podemos esquecer que a flexibilidade traz também incerteza. Incerteza sobre horários, sobre a situação de emprego, e quanto à proteção social. Às pessoas é exigido que mudem, mas nós, nos governos, temos também de fazer a nossa parte: adaptar as nossas regras e as instituições do mercado de trabalho. Temos de trabalhar com as pessoas e acompanhar as pessoas na transição”, defendeu Marianne Thyssen no encontro que reúne até amanhã representantes de 43 países da União Europeia e do sul e leste do Mediterrâneo para discutir temas como o desemprego jovem e a participação das mulheres no mercado de trabalho.

A comissária salientou uma taxa de desemprego média na UE de 6,5%, mas que não exprime ainda a realidade de muitos jovens e da pressão da digitalização económica na estrutura do mercado de trabalho, com maior precariedade. “Na UE, a situação de emprego dos jovens melhorou muito, mas muito trabalho tem ainda de ser feito”, defendeu. “Não apenas queremos mais emprego, queremos emprego melhor, emprego decente, emprego formal”.

“Bem mais que 40% dos trabalhadores da Europa estão por conta própria ou em vínculos não convencionais de trabalho. Estamos a mudar de ter um emprego para a vida para uma vida com diferentes empregos”, alertou.

Sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho, a comissária lembrou que o diferencial de participação homens-mulheres é de 27%, e que nos salários é de 17%. “Quando chega o momento, isto traduz-se num diferencial nas pensões de 4%”, alertou.

O primeiro-ministro português, António Costa, esteve também na abertura do encontro, e defendeu a promoção do crescimento como a melhor via para garantir mais emprego.

“Para termos um mercado de trabalho inclusivo e sustentável, precisamos de continuar a criar emprego. E para criar emprego precisamos de dinamizar o comércio e o investimento na região do euro-mediterrâneo e de continuar a qualificar as nossas populações”, defendeu, dando conta aos participantes na conferência de alguns indicadores atuais portuguesas. A saber: uma taxa de desemprego nos 6,3%, mais de 30% do novo emprego criado a ter vínculos duradouros, e um aumento de 7% no rendimento disponível das famílias, elencou.

“Sem recuperação económica, sem crescimento, sem economias mais competitivas, dificilmente teremos mercados de trabalho que não sejam factores de tensão e de conflito”, afirmou ainda o primeiro-ministro, considerando que Europa e Mediterrâneo Sul enfrentam desafios comuns, como o de aumentar as qualificações da população.

“Não há reforma estrutural mais poderosa e mais inclusiva como o investimento na educação e na aprendizagem ao longo da vida”, disse. “Precisamos igualmente de aumentar as nossas trocas comerciais e de apoiar a internacionalização das nossas empresas”.

A propósito das relações de investimento com o Mediterrâneo Sul, António Costa anunciou o reforço de investimento em Portugal, num valor de 38 milhões de euros, pela empresa tunisina Coficab, já investida há duas décadas na região da Guarda. A Coficab vai apostar numa nova fábrica de cablagem destinada à mobilidade elétrica e carros autónomos.

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